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Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

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Pesquisador da UFMT cria embalagem biodegradável com óleo de pequi

Pesquisador da UFMT cria embalagem biodegradável com óleo de pequi
O pesquisador Gabriel Bezerra Cardoso, mestre em Ciências de Materiais pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, trabalhou durante o mestrado no desenvolvimento de filmes biodegradáveis, à base de acetato de celulose, incorporados com óleo de pequi. Cardoso explica que o pequi é um fruto do Cerrado, produzido em alta escala na região, e que por ser rico em carotenoides possui capacidade antioxidante, ou seja, capaz de combater os radicais livres. 


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Considerando as características do fruto, a pesquisa visava desenvolver uma embalagem que além de biodegradável, fosse ativa, ou seja, que prolongasse a vida dos alimentos por mais tempo. Para realização dos testes foi extraído o óleo do pequi e incorporado ao acetado de celulose com a utilização de polissorbatos, que são emulsificantes que homogeneízam as misturas com óleo. 

O primeiro desafio foi descobrir a quantidade de óleo a ser incorporado. Os testes mostraram que a concentração ideal foi de 10% de óleo em solução padrão.

Para testar a biodegradabilidade, as embalagens com diferentes composições de polissorbatos, foram enterradas em solo e monitoradas a cada 30 dias. Os resultados foram positivos. “Comprovamos que o material estava se degradando rapidamente e realmente se decompõe em até 120 dias”, explica o pesquisador.

Os filmes com óleo de pequi foram avaliados quanto a permeabilidade, opacidade e resistência mecânica. De acordo com Cardoso, os resultados indicam que o material tem potencial para funcionar como embalagem ativa, capaz de proteger frutas sensíveis à luz, controlar a passagem da umidade e oxigênio. Um dos resultados obtidos foi quanto a composição do filme, testes realizados através da técnica de fluorescência de raio X.

O trabalho foi orientado pelas professoras Paula Becker Pertuzatti Konda e Renata Lázara Araújo. O estudante foi bolsista do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).  A pesquisa foi financiada pela Fapemat (Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso) e realizada nos equipamentos do GCBO (Grupo de Compostos Bioativos) e do CPMUA (Centro de pesquisa multiusuário), na UFMT – Campus Araguaia.

Prêmio
 
A pesquisa conquistou o 2º lugar na categoria mestrado durante a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), evento que ocorreu em outubro, na cidade de Cuiabá-MT. A premiação reconhece pesquisas que dialogam com o tema anual do evento, que nesta edição é voltado para água, oceanos e sustentabilidade. 
 
O prêmio foi oferecido pela FAPEMAT (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O valor é destinado diretamente ao pesquisador, como incentivo à continuidade da trajetória científica. “Não é prestação de contas. É um reconhecimento do esforço e um estímulo para seguir pesquisando”, afirma Cardoso.
 
(Este texto foi elaborado pela estudante de jornalismo Daniella Almeida, como atividade do projeto de extensão tecnológica Popularização da Ciência, UFMT – Campus Araguaia)
 
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