Após a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) determinar a suspensão temporária da autorização para recebimento de novos animais no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, a instituição publicou uma resposta classificando a decisão como "apressada". Diz que é resultado de uma "narrativa anti-santuários" alimentada por grupos com interesses específicos, citando diretamente a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).
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A suspensão ocorreu após a morte da elefanta africana Kenya, fato que, segundo o SEB, foi instrumentalizado por uma "máquina anti-santuários". A instituição afirma que a tragédia está sendo usada para fortalecer uma campanha antiga de descredibilização, motivada por pressões políticas sobre órgãos reguladores. O objetivo dessas pressões, de acordo com o santuário, seria impedir a transferência de elefantes que são alvo de ações judiciais para o local.
"Infelizmente, as entidades oficiais responsáveis acabaram cedendo a essa retórica", diz o texto. O SEB alega que a decisão da Sema foi tomada sob ampla pressão pública e durante o período de festas, resultando em uma medida que "não impacta em nada os elefantes que já vivem no santuário", mas afeta sua capacidade de resgatar novos animais.
A instituição também critica o vazamento seletivo da notícia da suspensão à mídia, que teria sido feito para promover essa narrativa. Para resolver a questão, o SEB foi notificado de que deve apresentar uma documentação detalhada sobre exames e cuidados - um padrão que o santuário considera desproporcional e superior ao exigido de qualquer outra instituição similar na América do Sul.
"É fundamental que investigações como a que está sendo exigida de forma inédita para nossa instituição, sejam conduzidas de maneira consistente em todas as instalações que mantêm animais", defende o comunicado.
O santuário direciona parte de sua crítica à AZAB, com a qual afirma ter se reunido recentemente para discutir transparência e abertura para visitas. Na ocasião, o SEB diz ter deixado claro que seu foco é o bem-estar animal e não simplesmente "retirar" elefantes de zoológicos. Apesar da aparente receptividade, a associação teria optado por apoiar a denúncia que levou à suspensão. "Uma ação que não atinge apenas o nosso santuário, mas mina deliberadamente o trabalho e a missão de santuários em todo o mundo", acusa o SEB.
Em sua defesa, o santuário afirma que nenhuma das elefantas resgatadas de zoológicos brasileiros chegou ao local com cuidados médicos adequados, incluindo a falecida Kenya, que não tinha registros de avaliações de lesões ou exames de sangue. A instituição compara sua situação à de um casa de acolhimento para idosos.
"Sugerir que o santuário seja responsável pela morte de elefantes que chegaram em estado de saúde comprometido após décadas em zoológicos é tão absurdo quanto culpar uma instituição de cuidados para idosos pela morte de alguém aos 80 anos".
O texto ainda questiona a suposta seletividade na cobrança por investigações, lembrando que mortes de elefantes jovens em zoológicos no Brasil e na Argentina não geraram o mesmo nível de questionamento ou exigências por parte desses grupos.
"De repente, pessoas que nunca questionaram os cuidados oferecidos por zoológicos e que nunca defenderam esses elefantes antes de sua chegada ao santuário agora expressam convenientes preocupações com mortes ocorridas aqui. Quando elefantes de zoológicos, com apenas 20 e poucos anos, morreram no Brasil e na Argentina, esses mesmos grupos não exigiram nenhuma investigação. Não houve protestos naquela época", disparou.
O Santuário informou que já acionou seus advogados para tomar medidas legais contra aqueles que, segundo a instituição, disseminam informações falsas. Paralelamente, lançou uma petição pedindo que o Ibama e a Sema investiguem, com o mesmo rigor exigido do SEB, as mortes prematuras ou trágicas de elefantes em outras instituições.
"Se essa ação for realmente imparcial, o mesmo nível de responsabilização será aplicado de forma igualitária a todas as instituições que mantêm elefantes sob seus cuidados", conclui o santuário.
Notificação
A notificação da Sema foi expedida no último dia 23, uma semana após a morte da elefanta Kenya, que havia transferida em julho de 2025. O santuário tem 60 dias para apresentar documentos solicitados pelo órgão estadual, que é responsável por licenciar as atividades.
De 2019 a 2025, quatro paquidermes faleceram menos de um ano após a chegada ao lugar, de acordo com informações divulgadas no site da instituição. O santuário é especializado em receber elefantes que passaram décadas em cativeiro.