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Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

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Inspirada pelas avós, advogada cria negócio de bijuterias com miçangas e pedras naturais

Inspirada pelas avós, advogada cria negócio de bijuterias com miçangas e pedras naturais
Apesar de ter cursado Direito na UFMT, a advogada Carol Carrijo Couto aprendeu desde cedo a exercitar a criatividade por meio dos trabalhos manuais, uma influência direta das avós paterna e materna, que encontraram na manualidade uma forma de expressão, sustento e afirmação no mundo. O que começou como forma de autoregulação durante as madrugadas sem dormir com um bebê pequeno, enquanto morava em São Paulo em meio a pandemia da covid-19, se transformou na Ma e Tê, o pequeno negócio de bijuterias de Carol. O nome é uma homenagem às avós Marli e Maria Tereza. 


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“Ela [a avó Marli] me levava lá todo sábado de manhã, ela sempre foi a pessoa que queria realizar todos os meus sonhos, desde os mais bobos. A minha avó é uma artista, fazia ponto cruz, fazia simples, mas também fazia quadros com paisagens em ponto cruz. Esse foi o jeito das minhas duas avós se colocarem no mundo, acho que a arte tem esse poder de te colocar em outro lugar no mundo, um lugar de escolha”. 

Foi Marli, hoje com 82 anos, a responsável por pagar a mensalidade do primeiro curso de bijuterias que Carol fez, ainda na infância. O hobby acabou se perdendo ao longo dos anos, em meio às exigências da faculdade, do trabalho e da maternidade, mas, no puerpério, os colares, anéis e brincos feitos com pequenas miçangas e pedras naturais resgataram a manualidade como presença em sua vida.

“Trabalha tomando decisões difíceis como RH, engravidei no final de 2020 e o que era ‘louco’ ficou ‘mais louco’ ainda, porque o puerpério muda muito a mulher e eu me desencontrei de mim mesma. Voltei a trabalhar com miçanga porque vi um anúncio no Instagram e achei lindo, comecei a fazer um curso, depois fiz outros… Foi um resgate nesse sentido, porque equilibrei uma parte da minha vida que estava desequilibrada, para fazer um trabalho manual você precisa estar presente”. 



As miçangas de vidro e as pedras naturais se transformam em peças construídas manualmente, nas quais ela cria padrões como flores, arco-íris e outros símbolos escolhidos pelos clientes, combinando cores e formas uma a uma.Recentemente ela começou a garimpar peças antigas e estudar sobre upcycling, o que chama de “o segundo capítulo na vida de uma peça”. Para Carol, o olhar sobre a durabilidade e o uso das coisas também se reflete na vida pessoal: quando o filho nasceu, optaram por fraldas ecológicas. “Pedra natural é muito democrática”.

Muitas peças foram criadas durante as madrugadas e Carol começou a presentear amigos com as bijuterias até surgir a ideia de participar de uma feira em São Paulo, onde teve as primeiras experiências expondo em eventos de produtos artesanais. 

“Comecei a participar da feira há três anos, tinha um emprego CLT e tinham muitas peças em casa, imagina que toda noite eu fazia uma peça, então juntei muitas. Saí do meu emprego CLT e estava com tempo livre, tinha algumas amigas que faziam essas feiras em São Paulo, comecei a participar, mas confesso que em São Paulo talvez eu não tenha achado meu nicho, porque aqui em Cuiabá tem sido muito melhor, tenho a sensação de que fui mais acolhida”. 

De volta a Cuiabá há um ano, Carol começou a participar de feiras e eventos como a Feira do Vinil e o Bazar na Vila, que são voltados para trabalhos artesanais de pequenos empreendedores. No universo do feito à mão, ela foi acolhida por outras mulheres e tomou uma decisão importante de consumir o que é feito pelas mãos de outras empreendedoras. 



“Sempre deixo dinheiro onde vou, sempre faço questão de comprar alguma coisa nas feiras que participo. Prefiro comprar de quem faz, de quem tem história. Tenho outro hábito que é sempre dar 20% de desconto para quem está expondo na feira também, saio perdendo de um lado, mas tem um pedaço de mim indo com outra pessoa e um caminho que se abre para mim. É diferente você comprar de alguém que está ali empreendendo”. 

Segundo Carol, o processo de criar as peças com as pequenas miçangas, colocadas uma a uma, não representa cansaço físico, já que é justamente nesse estado de presença que surgem ideias, soluções e caminhos para questões que pareciam travadas durante o dia. Para ela, há muitas formas de alcançar essa presença, e o trabalho manual é uma delas.

Esse vínculo com a manualidade, no entanto, não se estabelece a partir de uma lógica de produtividade ou mercado. Carol afirma ter receio de transformar aquilo que faz em meio exclusivo de sustento, por temer perder o sentido original do gesto. “Meu sonho não é viver do que faço, meu sonho é viver para ensinar, fazer com que as pessoas encontrem um hobby ou, quem sabe, um jeito de mudar a vida. Dou muitas aulas, gosto muito de ensinar, acho uma delícia”. 

Um dos sonhos da advogada é ter o próprio ateliê. “Por enquanto, brinco que meu sonho de aposentadoria é ter uma casa bonita, cheia de árvores, com salas de ateliê para pessoas virem aprender comigo”. 
 
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