Um casarão construído na década de 40 na Rua 24 de Outubro, conhecida como uma das mais charmosas da região central de Cuiabá, passou a abrigar o Arca Café, que abriu às portas na última semana. A proprietária Lorenna Bezerra apostou em receitas afetivas, como o tradicional bolo de queijo cuiabano feito com receita de família, e ambiente que convida para uma pausa no dia a dia. Construído em adobe, o imóvel teve partes preservadas e mantidas aparentes, em um processo de reforma que, segundo Lorenna, prioriza restauração.
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“A Rua 24 de Outubro continua charmosa, esse quarteirão é a coisa mais linda, uma rua arborizada, que tem sombra nas calçadas, o cuiabano não anda porque não tem sombra, não só porque é calor e aqui temos árvores. Esse pedaço da Rua 24 de Outubro deveria servir como modelo para outras ruas e até para dar continuidade, plantando árvores para que as pessoas possam andar a pé em Cuiabá”.
Além do bolo de queijo cuiabano, o cardápio também tem iogurte grego zero lactose, feito com a receita que Lorenna costumava fazer para produção própria e sempre foi elogiado pelos amigos mais próximos. Há também opções tradicionais como queijo quente e misto quente.
Ainda na sessão de quitutes para café da manhã - ou qualquer outra hora do dia -, uma parceria com a fábrica de pães de queijo cuiabana Tri Pães rendeu versões recheadas com presunto e queijo, carne de panela e Caprese (tomate confitado, creme de ricota e manjericão).
“Vejo que o sanduíche de pão de queijo é o que está tendo mais saída. Temos uma preocupação com os intolerantes, por exemplo, o bolo de fubá está incrivelmente gostoso e sem glúten e sem lactose, com uma caldinha de goiabada. O bolo de cenoura é sem lactose, o bolo de queijo é uma opção sem glúten… Estamos conciliando o cardápio para atender essas demandas”.
Lorenna já é proprietária do restaurante Galeto Cuiabano e conta que o Arca apareceu em sua vida por acaso quando o antigo proprietário precisava fechar o espaço para se mudar para Seattle (EUA). “Falo que aqui foi presente de Deus, porque vim aqui olhar os móveis e utensílios, comecei a andar pelo salão e visualizar o que podia fazer”.
O imóvel carrega ainda uma história pessoal. Há 20 anos, o espaço foi ocupado pelo artista Ronei Ferraz, que mantinha ali seu ateliê e, paralelamente, preparava refeições para complementar a renda. Na época, Lorenna trabalhava como vendedora e costumava almoçar no local com a filha.
“Quando decidi abrir um negócio quis que fosse um restaurante ‘tipo o do Ronei’, com mesinhas de madeira e música gostosa para que as pessoas fizessem uma pausa mesmo. Aqui foi uma inspiração para mim”.