O cuiabano Jefferson Silveira usou IA para reconstruir a pior enchente cuiabana, que aconteceu em 1974 e culminou no fim do bairro Terceiro. O episódio é considerado um dos episódios mais traumáticos da história urbana da capital. O vídeo recria, em pouco mais de três minutos, a maior cheia já registrada do Rio Cuiabá, quando o nível da água chegou a 10 metros e 80 centímetros e alagou completamente os bairros ribeirinhos.
Leia também
Mega festa de netos de 'Barão do Agro' é assinada por 'Poderosas do Cerrado', que já fizeram eventos de Virginia e Zé Felipe
Com as ruas submersas, o deslocamento passou a ser feito apenas por barcos e uma grande operação de emergência foi montada para atender os moradores, com envio de alimentos, roupas, vacinas e medicamentos de várias regiões do país. Após a retirada das famílias, o bairro foi evacuado e, quando a água baixou, revelou um cenário de destruição.
O vídeo também contextualiza a decisão tomada após a enchente. À época, o então governador José Fragelli apresentou um relatório técnico ao ministro do Interior Maurício Rangel, recomendando a extinção definitiva do bairro. O documento classificava o Terceiro como uma área insalubre, com casas de adobe construídas em região sujeita a alagamentos.
"O diagnóstico era simples: o Terceiro era insalubre, com casas de adobe em área de alagamento. mas essa não era toda a verdade, o Terceiro era o maior bairro popular cuiabano, um bairro centenário, os moradores tinham uma relação com o Rio Cuiabá, o bairro contava com hipódromo para corrida de cavalos , o cordão de Carnaval Cordão da Mocidade presidida por Zé Maria era um dos mais tradicionais de Cuiabá, o time Riachuelo Esporte Clube disputava campeonatos regionais, contava com uma grande área de praia onde recebia pessoas de todos os locais da cidade, as casas tinham quitais enormes e voltamos para o rio com muitos pés de frutas", diz trecho do vídeo.
O material aponta que, após serem chamados de flagelados, muitos moradores tiveram suas casas demolidas às pressas, foram levados para barracas improvisadas ou para o Parque de Exposições, então localizado em Várzea Grande, em condições consideradas insalubres. Posteriormente, receberam moradias menores e indenizações apontadas como irrisórias.
Jefferson produziu o vídeo a de reportagens da época, documentos oficiais e pesquisas históricas sobre um capítulo que, segundo o material, foi em grande parte apagado da memória urbana de Cuiabá.
"Em pleno governo militar, sem voz e sem escolha, não tiveram como reagir. A história do bairro do Terceiro, citado inclusive pelo jornal O Estado de Mato Grosso, em 15 de março de 1974, como o maior bairro da cidade (provavelmente em extensão), foi praticamente apagada", escreveu na legenda.