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Domingo, 12 de abril de 2026

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ruína do centro histórico

Prefeito de Cuiabá visita Gráfica Pêpe e pede restauração que mescle 'antigo e novo': 'não vamos deixar cair'

Foto: Reprodução

Prefeito de Cuiabá visita Gráfica Pêpe e pede restauração que mescle 'antigo e novo': 'não vamos deixar cair'
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), visitou o casarão em que funcionou a antiga Gráfica Pêpe, na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico, na noite dessa segunda-feira (16). Desde a semana passada, o imóvel está sob ameaça de desabamento e, por conta disso, o Museu de Imagem e Som de Cuiabá (Misc) precisou ser interditado por tempo indeterminado. Abilio pediu a desapropriação do casarão para que a Prefeitura de Cuiabá possa trabalhar em uma restauração. 


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"Já pede para a Procuradoria, vamos desapropriar e vamos tomar para nós. Essa peça é importante para arquitetura do local. Mas não vamos deixar cair, não", disse Abilio em um vídeo gravado no local. 

De acordo com o prefeito, parte da estrutura ainda pode ser reaproveitada. A ideia é que uma obra de restauração mescle aspectos do passado e do presente. "Está só a fachada, o que acho que a gente devia fazer aqui nesse princípio, fazer paredes novas, de alvenaria nova, o que é antigo é antigo e o novo, novo. Olha que beleza essa arquitetura, eu preservaria ela assim mesmo. Essa parte que é antiga, que dá para aproveitar. Depois colocamos um vidro aqui na frente para a água da chuva não ficar mais caindo lá dentro". 

Por trás do processo judicial que discute a demolição do casarão, cuiabanos que viveram os anos aureos do Centro Histórico como Glorinha Albernaz, de 81 anos, guardam o que não cabe em autos ou decisões: as memórias.

Em caixas preservadas dentro de casa, papéis antigos resistem ao tempo e contam histórias que a burocracia não alcança. O convite do casamento dela, produzido e impresso na Gráfica Pêpe é uma dessas relíquias, guardado entre panfletos de festas de São Benedito, convites do Arraiá da Mandioca, cartas, recortes de jornal e contas antigas que, já amarelados, registram fragmentos de uma vida inteira. 

“Acho que lá era o único lugar que existia para fazer esse serviço de convites de casamento. Eu tenho até hoje, ele era simples, não tinha detalhe nenhum, mas era um papel especial que imitava um linho. Naquela época não era fácil encontrar isso e era muito caro”, lembra. 

Nas lembranças que guarda consigo, está o carinho com que era atendida pela simpática Naly Hugueney de Siqueira, que administrava o estabelecimento ao lado da irmã Maria Luiza Hugueney. 

“A Naly era muito querida, todo mundo comprava lá. Ela sempre dava de presente para as crianças uma caixinha de lápis de cor, dava com o maior carinho para as crianças. Nos anos 50 ou 60 teve um incêndio na Igreja Senhor dos Passos, foi aquele alvoroço, todo mundo ficou com medo de chegar na Gráfica Pêpe. Naquela época era só no balde de água”. 

“A gente falava: ‘Dona Naly, eu quero tal coisa’. Ela pegava na hora”, recorda Glorinha. 

A Gráfica Pêpe também era o lugar onde muitas famílias cuiabanas compravam materiais escolares, lembrança que permanece viva na memória de Glorinha. Ao falar do período, os olhos dela brilham ao recordar a estampa de um dos cadernos que usava na escola, chamado “Primavera”.

“Os cadernos chamavam Primavera, não tinham esses cadernos de capa dura, nada disso, eram simples. Tinham também as folhas de fazer sabatina, que nós fazíamos uma vez por mês, eram folhas grandes com as listras para escrever grandes também, então era dobrada. A sabatina era uma vez por mês, de toda matéria. Vinha tudo da Pêpe”, conta.

Para Glorinha, o abandono do casarão, que teve a estrutura quase completamente destruída pelo tempo e descaso, é motivo de tristeza, assim como outros pontos que foram importantes durante a infância e juventude que ela viveu no Centro Histórico de Cuiabá. 

“O abandono é muito triste, não só da Pêpe, como da nossa Cuiabá. Cuiabá está horrível, todo lugar do Brasil arruma as casas antigas, estão conservadas. Estive agora em Tamandaré, no Nordeste, tem casinhas que são lindas, a maioria sem muro, tudo conservado e arrumado. Eu fico triste”. 
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