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Domingo, 12 de abril de 2026

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Iphan afirma que placa foi recolocada na Praça da Mandioca sem autorização e possui linguagem racista

Foto: Reprodução

Iphan afirma que placa foi recolocada na Praça da Mandioca sem autorização e possui linguagem racista
O Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) afirmou que uma placa recolocada na Praça da Mandioca no mês passado, epicentro de uma polêmica envolvendo o coletivo antirracista Casa das Pretas, que classificou, em entrevista ao Olhar Conceito, o texto da placa como uma "afronta", possui linguagem racista e não é "politicamente correta para a atualidade". O Iphan também informou que a instalação foi feita sem autorização. 


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De acordo com a superintendente do Iphan, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, o instituto tomou conhecimento sobre a placa ter sido recolocada há duas semanas. "Estávamos adotando as providências para averiguar possíveis responsabilidades”, frisou.

O prefeito Abilio Brunini declarou que a ideia é instalar uma nova placa, moderna, com identificação em dois idiomas. Ele mesmo removeu a antiga placa da Praça da Mandioca na noite de segunda-feira (16). O objeto ficará sob os cuidados do Museu da Imagem e do Som (Misc), por se tratar de um registro histórico do local. 

“Registra uma época, mas hoje entendemos que não é politicamente correta para a atualidade, pois possui linguagem racista. Embora faça parte da história da praça, não há condições de utilizá-la. A ideia é que fique no Misc como registro histórico”, relatou Ana Joaquina da Cruz Oliveira.

Ela também destacou que não houve autorização do Iphan para a instalação e que o órgão tomou conhecimento do fato há cerca de duas semanas. “Estávamos adotando as providências para averiguar possíveis responsabilidades”, frisou.

O texto na parte de trás da placa confeccionada há mais de 15 anos mencionava o pelourinho como espaço de punição a “criminosos e contraventores”, e foi alvo de questionamentos por omitir a violência contra pessoas escravizadas, apontada por lideranças como um apagamento da memória negra na região.

"Vamos refazer, vamos fazer uma placa decente, que valorize a história, colocar em dois idiomas, de um lado em português e do outro 'Mandioca Square'. Mas desse lado de cá, não dá certo, não", justificou Abilio. 

Placa foi retirada em reforma 

A placa teria sido retirada da Praça da Mandioca durente uma reforma no local em 2018 e foi guardada por antigos moradores da região. Quando foi recolocada, o texto passou a incomodar a fundadora da Casa das Pretas, que funciona em frente à praça desde 2020, Antonieta Batista. 

Na parte de trás da placa, a Praça da Mandioca é citada como o “temível Pelourinho, onde eram expostos e castigados os criminosos e outros contraventores da lei”. Para Antonieta, o trecho apaga o principal uso histórico do instrumento, que foi a violência contra pessoas escravizadas.

Para ela, não contextualizar a escravidão pode gerar uma interpretação distorcida sobre quem eram as pessoas submetidas a esse tipo de punição pública. Antonieta afirma que ignorar a questão racial revela uma falta de leitura histórica sobre o tema.

“Meus ancestrais não eram criminosos e contraventores, isso é uma afronta às nossas lutas. Os turistas que vão chegar, vão olhar e entender que aquela é a história. Não podemos pegar uma placa de 15 ou 20 anos e colocá-la no mesmo lugar. Eu, enquanto uma mulher preta que possui leitura racial, não vou silenciar diante de situações como essa”. 

“É uma placa de muito anos atrás que diz que nós negros somos criminosos. Muitas pessoas não acreditam que aqui era o pelourinho, nós precisamos entender a história. Essa praça é muito significativa para o povo negro. Essas casas eram usadas para comercializar pessoas escravizadas”. 

De acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Praça da Mandioca, Guto Vieira, a placa sempre esteve no local e foi retirada apenas para a reforma. Ele afirmou que o texto escrito na estrutura não faz menção a questões raciais. A placa teria sido confeccionada por volta de 2015 por Nestor Defletas. 
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