A fachada do casarão em ruínas localizado na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico de Cuiabá, onde funcionou a Gráfica Pêpe, a primeira da cidade, chama atenção por resistir em meio aos escombros dos anos de abandono. Nas últimas semanas, por conta das fortes chuvas, o imóvel acendeu o alerta das autoridades por conta do risco de tombamento e a demolição chegou a ser orientada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, uma reunião liderada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), determinou a preservação da fachada nessa terça-feira (17).
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A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Mato Grosso, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Botura Portocarrero, engenheiros da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e o engenheiro especialista em cálculos estruturais, professor Alberto Dalmaso, participaram da reunião.
De acordo com a Prefeitura de Cuiabá, o imóvel não será mais demolido. A partir da sugestão do prefeito, a equipe encontrou uma solução técnica para que a fachada, mesmo em colapso, não caia. A previsão é iniciar os trabalhos com a maior brevidade possível, considerando os preparativos e o aparato necessários para a execução dos serviços.
Para a superintendente do Iphan, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, a melhor alternativa é a apresentada pelo prefeito Abilio Brunini. Segundo ela, compete ao órgão oferecer apoio técnico quanto à definição do que será feito no imóvel tombado, enquanto a execução cabe à Prefeitura. “Estamos falando de um imóvel tombado. A execução é da prefeitura. O Iphan apoia no sentido de que essa solução esteja dentro da legislação vigente e não infrinja nenhuma norma”, afirmou.
De acordo com a representante, a estratégia prevista pelo prefeito está em conformidade. “Inclusive, a proposta do prefeito vai mais ao encontro da atuação do Iphan do que a primeira proposta analisada, pois é voltada ao preservacionismo. Inicialmente, por questões emergenciais e de risco, cogitou-se a demolição. O que a Prefeitura entender como tecnicamente mais viável, o Iphan apoia, desde que siga a legislação vigente”, frisou Ana Joaquina.
O secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Botura Portocarrero, avaliou como positivo o entendimento e destacou a necessidade de agilizar a ação. “É uma corrida contra o tempo, pois chuvas fortes podem comprometer todas as medidas. Por se tratar de uma ação extremamente delicada, exige atenção aos detalhes para agir com segurança e não perder o que resta da estrutura”, pontuou.
A Energisa, a Defesa Civil, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública e o Corpo de Bombeiros também participam do processo para resolver a situação do imóvel, que é tombado pelo Patrimônio Histórico.