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Domingo, 12 de abril de 2026

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“Eles ganharam”: Enquanto Cuiabá perde título de 'Cidade Verde', Campo Grande vira referência mundial em arborização

Foto: Montagem/Olhar Direto

Campo Grande e Cuiabá

Campo Grande e Cuiabá

Enquanto Cuiabá perde árvores e o título de "Cidade Verde" parece cada vez mais distante, a advogada Silvia Mara, criadora da Associação Cuiabá Mais Verde, aponta uma cidade vizinha como contraponto. Campo Grande (MS) foi reconhecida pelo sétimo ano consecutivo como “Tree City of the World” (Cidade Árvore do Mundo), certificação que exige estrutura de gestão da arborização, legislação específica, monitoramento das árvores, investimentos contínuos e ações de conscientização da população. Entre as iniciativas está o Projeto Via Verde, que amplia corredores verdes e contribui para o equilíbrio climático urbano.


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Para Silvia, a diferença entre as duas capitais já é evidente. “Campo Grande ganhou vários prêmios. Campo Grande tá maravilhosa. Se a gente tinha uma rixa com Campo Grande, eles ganharam". 

Ela destaca que o avanço da capital sul-mato-grossense mostra que o crescimento urbano não precisa acontecer à custa das árvores. "Todas as farmácias, por exemplo, são obras autorizadas pela prefeitura. Elas não têm uma árvore, elas têm cimento. O cimento adianta de quê? Quando chove, não tem permeabilidade. A chuva escorre, alaga. Você vê farmácias com mudinhas pequenas". 

Para ela, ainda é possível reverter o cenário em Cuiabá, desde que haja mudança de estratégia. “Dá, dá pra contornar essa situação. E ter uma cidade verde. Mas o curto prazo que eu falo são cinco anos, não são 50. Em 50 aqui estará pegando fogo ou alagado”, diz.

Apesar disso, a mobilização prática da população ainda é um desafio. “As pessoas passam horas brigando na rede social, mas na hora que você pede ação… são dois ou três. São sempre as mesmas dez pessoas num grupo de duzentos”, relata.

Cuiabá Mais Verde

O que começou como um desabafo nas redes sociais, em meio ao isolamento da covid-19, deu origem a um movimento que hoje tenta enfrentar a falta do Plano Diretor de Arborização Urbana em Cuiabá. A advogada conta que a ideia do projeto surgiu em 2020, após passar pela região da avenida Helder Cândia, durante uma das fases mais críticas da pandemia naquele ano, em que a cidade estava praticamente vazia.

“Eu saí de uma missa que a gente assistia de dentro do carro e vi tudo muito seco, sem árvore nenhuma. Aquilo me chamou atenção. Fiz uma publicação perguntando por que Cuiabá não era mais verde, o que tinha acontecido”, relembra. 

O questionamento viralizou em um grupo no Facebook e mobilizou outras pessoas interessadas no tema. A Helder Cândia foi escolhida como área piloto, e, em setembro daquele ano, cerca de 80 mudas de árvores nativas foram plantadas.A experiência, no entanto, evidenciou que o problema era mais complexo do que parecia. Segundo Silvia, o grupo percebeu que plantar árvores, por si só, não era suficiente. “A gente entendeu que plantar é o mínimo. Não adianta só isso. Não tinha estrutura, não tinha legislação adequada, não tinha política pública funcionando”, afirma.

Durante o projeto inicial, também foram distribuídas mudas para a população, mas sem controle sobre o destino delas. “Você não sabe para onde vai, se foi plantada, se vai sobreviver. Isso mostrou um gargalo enorme”, explica.

Além disso, dificuldades práticas como solo compactado, necessidade de insumos e manutenção das mudas mostraram que a arborização urbana exige planejamento e acompanhamento técnico. “Foi muito difícil manter as árvores vivas. Não é simples como parece”, diz.

Com o crescimento da mobilização, o grupo se organizou em núcleos técnicos, administrativos e jurídicos e, em 2021, formalizou a iniciativa com a criação de um CNPJ. Após três anos, a associação ampliou sua atuação e agora busca recursos e parcerias para desenvolver projetos de forma independente.

“A gente percebeu que não pode depender só do poder público. Hoje conseguimos buscar recursos e fazer ações com empresas e iniciativas privadas”, afirma.

Mesmo assim, a principal pauta do grupo segue sendo a implementação do Plano Diretor de Arborização Urbana em Cuiabá, que, segundo Silvia, ainda não saiu do papel. “Ele é obrigatório, já foi elaborado, mas está parado. Sem esse plano, não existe política pública estruturada para a arborização da cidade”, conclui.
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