Quando fez as primeiras receitas de pipoca doce, Any Caroliny Pinheiro, de 36 anos, estava buscando apenas uma sobremesa para surpreender a família e os amigos em jantares especiais. Como tinha o sonho de casar, ela começou a levar pipocas para os colegas de trabalho da Secretária de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz) e transformou o hobby em renda extra. Alguns cursos profissionalizantes depois e a inspiração em uma chef pipoqueira de Goiânia levaram Any a criar a Céu Encantado, que chama atenção com os potes de pipocas caramelizadas que são recheados com nutella e creme de ninho.
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Ao
Olhar Conceito, ela conta que hoje ganha até 5x mais do que quando era CLT. Any, que trabalhava como funcionária terceirizada da Sefaz, já é rosto conhecido nas feiras de Cuiabá com as pipocas gourmet, que são produzidas com milho especial comprado em São Paulo (SP).
“Como já vendia pipocas gourmet desde 2021, assisti um video de uma chef pipoqueira em 2025, fazendo pipocas no pote. Achei sensacional e resolvi trazer a ideia para Cuiabá. A pipoca de ninho é nosso carro chefe e muito saborosa. Não poupei na qualidade dos recheios, uso creme de avelã de verdade, tudo de melhor para os clientes.
Desde que fez as primeiras pipocas para consumo dos amigos e da família, Any já fez três cursos profissionalizantes para aperfeiçoar a técnica de caramelização da pipoca doce.
“O processo é muito moroso. Ao contrário do que muita gente pensa, que é um processo rápido e simples, não é. São nove etapas do estouro até a embalagem. A mais demorada de todas é o estouro e seleção, além das pipocas serem estouradas em pipoqueiras de ar quente, são massageadas e removemos todas as casquinhas e milhos não estourados devidamente, proporcionando uma experiência maravilhosa, onde o cliente consome pipoca sem medo”.
Apesar da ligação com a cozinha, o caminho profissional até então era outro. “Sempre gostei muito de cozinhar, e venho de uma família que é boa no quesito, minha maior inspiração é a minha madrinha, Dona Ester, cozinheira de mão cheia. Mas eu nunca havia trabalhado com comida, só comecei com a pipoca mesmo”. A atividade começou paralelamente ao emprego formal. “Era para ter sido só um extra, antes era servidora da Sefaz e levava a pipoca apenas como algo temporário até quitar o casamento”.
Com o tempo, o que era complementar passou a ocupar mais espaço na rotina e na renda. O crescimento veio principalmente pela experiência do cliente e pela circulação do produto entre diferentes públicos. “O boca a boca sempre foi o meu maior impulsionamento”, afirma. A fidelização, segundo ela, foi consequência direta disso: “Podem comer de outros locais, mas sempre me procuram, e fidelizam”.
Hoje, além de garantir a própria renda, o negócio também passou a impactar outras pessoas. “Me sinto muito realizada que através do meu serviço consigo alegrar a vida das pessoas, quem não fica mais feliz depois de um docinho?”. Com o crescimento, vieram novas responsabilidades. “Deus tem abençoado tanto que até emprego já estamos gerando, coisa que não imaginei em tão pouco tempo”.
Para o futuro, a intenção é expandir sem perder a essência do produto. “Os planos são crescer, fechar parcerias com supermercados e seguir encantando as pessoas com as nossas pipocas”.