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Processos de construção antigo dificultam aplicação da ideia de casa flexível

Da Redação - Stéfanie Medeiros

29 Out 2013 - 14:34

Foto: Reprodução/Ilustração

Processos de construção antigo dificultam aplicação da ideia de casa flexível
Todo o ser humano tem um pouco de arquiteto em si, mesmo aqueles que não possuem moradia fixa. É a vontade de deixar o ambiente transbordando de si mesmo, com características próprias e muito particulares. Seja mudando um sofá de lugar ou construindo uma casa inteira, as pessoas querem dar opinião, querem ser os donos de seu lugar.
Para isto, a arquitetura tem que se adaptar às mudanças do seres humanos. “A arquitetura serve as pessoas e não o contrário”, disse o arquiteto e membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU), Benedito Libânio Neto.

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Um dos conflitos primordiais quando se planeja uma residência é estética “versus” funcionalidade. Muitos clientes, explica Libânio, esquecem que uma casa deve atender às necessidades das pessoas que nela vão morar por conta do “bonito”.

Como o conceito de família é dinâmico e muda constantemente, principalmente agora no século XXI, as residências devem acompanhar. A ideia de casa do futuro não é nova. Em países como os Estados Unidos, Canadá e vários da Europa, as casas são feitas a partir de um pré-modelo. Desta forma, é mais fácil acrescentar ou excluir cômodos, assim como é possível transportar certas casas inteiras de um lugar para outro.

No entanto, o Brasil encontra uma barreira neste aspecto. O modo de construção empregado no país, além de mais demorado, é um tanto quanto arcaico. “Nós temos que implementar o conceito de flexibilidade nos novos projetos, mas este processo de construção de tijolo a tijolo dificulta as coisas”, disse Libânio.

Outro ponto que entra em conflito com a ideia de flexibilidade é a correria do arquiteto brasileiro. Para se ter uma ideia: Libânio, ocupado com um projeto, precisava escolher sofás, mesas e poltronas para um escritório. Aproveitando o embalo, falou com o Olhar Conceito enquanto dirigia, abasteceu o carro, passou na loja de decoração e móveis, escolheu dois sofás e já partiu apressado para uma reunião.

Já nos chamados países de primeiro mundo, o arquiteto, em geral, pega de três a quatro projetos por ano. “No Brasil, se você não pegar uns dez por mês, você não come”, brincou.

Brincadeiras a parte, Libânio questiona a arquitetura brasileira e dá exemplos de projetos inovadores que surgem em território nacional, mas que muitas vezes não ganham a repercussão que merecem. “Uma aluna de salvador desenvolveu como trabalho de conclusão de curso um kit-barraca onde os sem-teto podiam dormir com mais privacidade. A prefeitura da cidade até montou postos de acampamento para estas pessoas. São estas ideias inovadoras que precisam ser colocadas em prática”.

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