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André D' Lucca traz aos palcos drama familiar e encena usuário de drogas inspirado no irmão; confira entrevista

Da Redação - Laura Petraglia

03 Nov 2013 - 09:30

Foto: Divulgação

André D' Lucca traz aos palcos drama familiar e encena usuário de drogas inspirado no irmão;  confira entrevista
Um espetáculo baseado em fatos reais que traz ao palco o drama familiar vivido pelo ator André D’ Lucca, cujo irmão é dependente químico. Assim é o “Só por hoje”, o novo espetáculo idealizado por André D’Lucca, que projeta com máxima veracidade o inferno particular de adictos. A peça será apresentada nos dias 09 e 10 de novembro, no Teatro Liceu Cuiabano, sempre às 20h.

“Meu irmão mais novo usa drogas pesadas ha mais de 15 anos. Já passou por 3 internações e já ficou longos períodos limpo. Quando percebi, o vicio dele desestruturava toda a casa, quando vi éramos todos co-dependentes dele. O vicio dele ditava as regras aqui em casa. Uma manhã dessas, quando acordei ele havia trocado a cozinha toda, os eletrodomésticos, os utensílios até os botijões de gás por drogas. Senti tanto ódio dele que minha vontade era bater até matá-lo.

Eu sempre vi a dependência química como falta de vergonha, falta de força de vontade, falta de caráter. Na última internação mudei minha forma de ver o problema, e enxerguei que realmente eles têm uma doença. Pela primeira vez meu irmão também admitiu que tinha uma doença e precisava de tratamento. Hoje ele está ótimo, está em casa, está em tratamento e entende que isso é importante pra ele”, revelou André em entrevista ao Olhar Conceito.

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O elenco – composto por André D’Lucca, Eloá Pimenta, Douglas Peron, Raquel Mützenberg e Renato Luz – desenvolveu uma dramaturgia original a partir de laboratórios em clínicas de recuperação de dependentes químicos e experiências na rua em contato direto com usuários. A sonoplastia é assinada por Raul Fortes.

“É um espetáculo de utilidade pública. Eu acertei em cheio a escolha do tema e do elenco. Meu irmão tem me ajudado muito. Quero uma peça sem mascaras, quero mostrar a vida como ela é. Dependentes quando vêem o assunto retratado em novel, por exemplo, criticam porque é uma realidade maquiada. Eu e os atores fizemos laboratórios, fomos para as clinicas, fomos para a rua, vimos pessoas usando pasta base, vimos as mudanças físicas acontecendo e é isso que vamos retratar no palco”, diz ele ao lembrar que as cenas são fortes e a peça é proibida para menores de 18 anos.

Quando questionado se não importava em expor seu drama familiar nos palcos, ele diz que esse é um aspecto sobre vícios. “Não tenho medo de me expor, nem de julgamentos. Hoje quase todos somos dependentes de algo. Essas pessoas são de drogas, mas tem gente dependente de medicamentos, sexo, game, loteria, fofoca, compras”, finalizou.


A entrada custa R$ 20,00 a meia e R$ 40,00 a inteira, e pode ser adquirida antecipadamente pelo site Cabeça de Pacu ou na Casa Ferraz, localizada na Rua 24 de outubro, nº 584, Centro. Informações pelos telefones 8132-6554 e 9292-9907.

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