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Domingo, 20 de setembro de 2020

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Mel Lisboa atua em 'Homem não Entra', na Cracolândia

Estadão

07 Mai 2013 - 16:00

Mel Lisboa está fazendo uma peça de teatro. Não, não é exatamente isso que ela está fazendo. "Todo mundo faz teatro, se envolve com um monte de coisas, mas poucos têm realmente uma razão, uma motivação maior por trás de simplesmente fazer uma peça", argumenta a atriz, protagonista de Homem Não Entra, sua segunda parceria com a Cia. Pessoal do Faroeste. "Eu me interessei pelo trabalho deles, mas de repente me vi envolvida em algo muito maior: uma questão política, em uma militância."

É na Rua do Triunfo, reduto da Boca do Lixo paulistana, que ela apresenta o novo espetáculo. Dirigida por Paulo Faria, a obra revê um episódio verídico da história da cidade: em 30 de dezembro de 1953, o então prefeito Jânio Quadros expulsou cerca de 1 mil prostitutas do Bom Retiro, onde havia a chamada Zona Livre, e as confinou na região da Luz. "É tanta coisa que tem para investigar a partir de um fato histórico isolado", considera Mel. "O antes, o depois, os porquês, o que estava acontecendo em São Paulo e no País. E a óbvia ligação com o que está acontecendo agora."

Ambientada como um faroeste, a trama de Homem Não Entra foca em uma história do passado. Mas está continuamente a tratar de assuntos que reverberam diretamente no atual debate sobre a Cracolândia: Põe sob suspeita a ação policial na região, a internação compulsória de viciados e as medidas de "higienização" social, que volta e meia são anunciadas para a área. "As pessoas, às vezes, não entendem o que eu estou fazendo aqui. Tem gente que acha o máximo, mas tem quem ache que eu sou maluca. É um lugar para onde ninguém quer olhar. Ninguém quer vir para cá, ninguém quer andar pelo centro, olhar para a própria história", diz ela, que faz a cena final da montagem à meia-noite, no meio da rua. Tudo em meio a mendigos, prostitutas e usuários de crack que frequentam a região.

"Eu mesma não conhecia essa parte da cidade. Mas ao ver tudo isso você tem duas opções: ou você desiste, admitindo que é algo do qual talvez não queira falar, ou você encara. E eu encaro. Porque é impossível vir aqui, ver tudo isso e ignorar. Vou voltar para minha casa, ficar lá no meu cantinho e fingir que isso não existe? O simples fato de estar aqui, fazendo um espetáculo que toca nesses assunto, já é, em si, uma atitude política."

HOMEM NÃO ENTRA - Sede Luz do Faroeste. Rua do Triunfo, 305, metrô Luz, telefone 3362-8883. Sáb., 23 h; dom., 17 h. Pague quanto puder. Até 18/8.

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