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Quarta-feira, 23 de setembro de 2020

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Cidade dos Outros promete romper o círculo da inércia na espera pela vida em espetáculo no SESC Arsenal

Da Redação - Marianna Marimon

06 Mar 2014 - 11:01

Foto: Reprodução

Cidade dos Outros promete romper o círculo da inércia na espera pela vida em espetáculo no SESC Arsenal
A eterna espera. Sentados confortavelmente em poltronas, a esperar o passar da vida diante dos olhos. Inerte. Imóvel. A espera. A espera por viver enquanto a vida escorre pelos dedos. Com inspiração beckttiana, que trata da circularidade da vida, da inapetência para a ação e da eterna espera pelo maná divino, assim é a peça “Cidade dos Outros” que acontece de sexta-feira (7) a domingo (9), sempre às 20h no Teatro do SESC Arsenal. Com direção de Amauri Tangará, com concepção e atuação de Juliana Capilé que contracena com Tatiana Horevicht, o espetáculo promete a inquietação proveniente do acordar, após o doce torpor da espera estática.

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O espetáculo traz uma máquina de cena, onde dois personagens famintos estão amarrados um ao outro através desta máquina. Passam seu tempo fazendo planos para gastar os "milhões" em dinheiro que terão quando ganharem na loteria, que jogam diariamente. Suas vidas se resumem em esperar e sonhar.

Enquanto esperam esse resultado, falam o que vem em suas cabeças: um acidente de carro, onde ninguém se machuca, um cavalo que cai em um buraco e não consegue sair, o jogo da loteria e o dinheiro que irão receber, quando ganharem. A máquina de cena é fixa em um eixo central, com mobilidade para todos os lados, como uma moenda onde os personagens são o gado preso.

A vida é cíclica, sim, sem propósito, vazia, entediante, mas tende a se deteriorar cada vez mais. O ritmo de suas vidas é marcado por essa espera; que é tudo o que eles têm, por enquanto.
Todo o resto já se esgotou. A vida é um jogo que deve ser vencido a qualquer custo, mas o que se pretende ganhar?

Estes são alguns das pontuações feitas para a peça, o texto de Juliana Capilé venceu o prêmio Miriam Muniz da Funarte e é incômodo porque utiliza as metáforas da vida com sua máquina a se mover, em círculos, sem nunca sair do lugar, e tira o espectador de sua confortável posição de viver a esperar os grandes feitos, que nunca irão chegar.

A sorte está lançada e a reflexão pode ser uma das chaves para se resolver este enigma que é viver, sem esperar, para então, sair do lugar enquanto as cortinas se fecham, e se mover para tudo aquilo que a vida lhe reserva.

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