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A linguagem universal dos quadros de Capucine Picicaroli chegam ao Museu do Louvre

Da Redação - Stéfanie Medeiros

23 Mai 2014 - 12:27

Foto: Danilo Manfrin/Olhar Conceito

A linguagem universal dos quadros de Capucine Picicaroli chegam ao Museu do Louvre
Em qualquer outra casa, aquela sala seria simplesmente um lugar para assistir televisão e descansar. Mas na residência de Capucine Picicaroli, transformava-se em uma galeria de arte. Em todas as paredes, quadros mostram elementos do México, Fridas Khalo, série estações, animais, caveiras, rostos de mulheres, dentre tantas outras coisas tão peculiares da obra desta artista.

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Vestida de preto, os cabelos loiros presos em tranças e os lábios vermelhos, Capucine era como que parte integrante de seus trabalhos. A interação entre criadora e criatura era natural, como se fossem velhos amigos de vida inteira. E foi desta forma que as artes plásticas entraram na vida de Capucine: naturalmente, sem pressa de acontecer.


(Foto: Danilo Manfrin)

Todos na família de Capucine tinham uma veia artística: A mãe pintava, assim como o pai, que chegou a trabalhar como cartunista de um jornal. Os livros de arte ficavam disponíveis na casa e, muitas vezes, estavam nas mãos de uma Capucine criança curiosa, que gostava de desenhar o que via nas figuras, colocando em cada criação um pouquinho de si mesma.

Desta forma, as artes plásticas sempre fizeram parte do cotidiano daquela família. Depois de perder os pais muito jovem, ainda adolescente, Capucine manteve a pintura como hobby, mas procurou uma profissão que pudesse sustentá-la e, mais tarde, prover para sua família. A então artista deixou de lado os pincéis e foi trabalhar com vendas em diversos lugares, sendo bem sucedida na área durante 10 anos. Mas sempre que tinha um tempo, pegava aqueles pincéis e coloria algumas telas só para si, para manter aquele impulso criativo vivo, embora ainda longe do público.

Apesar de nunca ter feito cursos de pintura ou ter se formado em belas artes, Capucine sempre tinha em mente que um dia iria pintar. E com o tempo, os filhos cresceram, tornaram-se independentes, as viagens pelo país e visitas a exposições foram impulsionando cada vez mais o desejo de largar tudo e começar a pintar como forma de ganhar a vida – e o mundo.

De volta às artes

Sentada em uma praia do Rio de Janeiro com seu marido, tomando uma cerveja e contemplando o mar, Capucine Picicaroli decidiu: Quando chegasse a Cuiabá, largaria tudo e voltaria a trabalhar com pintura. E assim o fez.

Seu primeiro quadro depois de anos trabalhando no comércio foi uma representação de Frida Khalo. Capucine levou a pintura até Creuza Medeiros, para que ela desse sua opinião sobre a qualidade da obra. Capucine também esperava que Creuza, comerciante, jornalista e amante das artes, dissesse se achava que algum comprador poderia se interessar por aquela pintura. Creuza, uma “Fridólotra” declarada, quase perdeu o fôlego quando viu o quadro. O adquiriu imediatamente e o mantêm até hoje entre o Armazém da Creuza (no Espaço Magnólia, 24 de Outubro) e sua casa. Recusa-se a vendê-lo.

Sobre a pintura, Creuza disse: “Eu fiquei encantada. Falei pra ela: ‘Capu, sua obra é universal’”. E desde então Capucine reassumiu sua posição como pintora, e, de suas mãos habilidosas, várias outras Fridas renasceram. Mas aquela primeira continua sendo – e sempre será – de Creuza.

O quadro em questão é uma explosão de cores e, do lado esquerdo, Frida com suas flores no cabelo e o coração em chamas. No pescoço, fitas brancas passam de um lado para o outro, fazendo referência à obra “A coluna partida”, no qual Frida se auto-retrata usando coletes ortopédicos depois de seu acidente de bonde.


(Foto: Stéfanie Medeiros)

Neste primeiro ano “de volta as artes”, Capucine conquistou o público e o mercado. Um doutor em belas artes formado na Suíça já disse para a artista que seu modo de pintar é único, não está nos livros, pois é uma técnica completamente nova. “Meu trabalho é algo que é ‘fácil’ de digerir. Claro que tem sua complexidade, mas numa análise mais superficial, é simples, agradável. Por isso as pessoas gostam. Eu tento pintar coisas bonitas, explorar as cores, porque já tem tanta miséria no mundo, quero que o meu trabalho tenha algo além disso”, explicou Capucine.

Exposições nacionais e internacionais

Em apenas um ano, devido a este trabalho com o belo, Capucine conquistou o público. Tanto que já está com 2014 cheio de exposições agendadas, sendo uma delas no museu mais icônico do mundo: o Louvre, em Paris.

“Acho que o artista que investe em uma carreira internacional tem seu trabalho muito valorizado. É um reconhecimento da sua obra, da sua técnica e do seu trabalho. Esta exposição no Louvre irá abrir muitas portas, inclusive em outros países além do Brasil e da França”, disse Capucine.


(Foto: Danilo Manfrin)

Em junho, Capucine fará parte da exposição Coletivo Outono 2014, em Cuiabá, no período da Copa do Mundo 2014. Ela, além de expositora, faz parte da organização e é uma das idealizadoras do projeto. Clique AQUI para saber mais.

Em outubro, é a vez da exposição no Museu do Louvre, em Paris. Esta exposição será uma mostra de artistas do mundo inteiro. Em novembro, a Casa do Parque abre as portas para a obra de Capucine e, em dezembro, seus trabalhos viajam novamente para São Paulo, onde serão expostas no Ponto de Arte.

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