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Em espetáculo da Sertão Teatro Infinito, a grande metamorfose do homem que vira boi desperta curiosidade

Raquel Mützenberg - Especial para o Olhar Conceito*

16 Mai 2013 - 19:11

Foto: Frank Busatto

Em espetáculo da Sertão Teatro Infinito, a grande metamorfose do homem que vira boi desperta curiosidade
A história que a plateia do Sesc Arsenal viu nesta quarta-feira (15) pelo Palco Giratório é a de Zé Argemiro, que, entre suas brincadeiras de menino da roça, tem como favorita a de montar na garupa do boi Dourado. Daí este espetáculo da Sertão Teatro Infinito Cia encenar "O Boi".

A personalidade de Zé vai se delineando de maneira inusitada: ele prefere a companhia dos bois, com os quais passa horas conversando. Curiosidades à parte, a interação se faz onipresente.

Na fila para entrar no teatro o público já recebe as instruções de desligar os celulares, pois assim que as portas se abrem o espetáculo iniciaria. A expectativa cresceu quando o ator Guido Campos Correa usando uma cabeça de boi distribui bandeirolas a todos que entram, ao som de YMCA do Village People. Adoro o tema.

Falando abertamente com a plateia, o ator logo no início da peça anuncia o primeiro momento interativo do espetáculo e pede que todos balancem as bandeirolas – lembrando que foi ele que fez e que devem ser bem cuidadas.

O tema é interessante, a história do garoto que vive no meio dos bois é contada de forma dinâmica e a atuação é intensa. O placo tem apenas uma mesa, que é forrada com dois panos – um vermelho e outro preto – que viram adereços para caracterizar os diferentes personagens interpretados por Guido.

Em certo momento o ator novamente pára a história: segundo momento interativo do espetáculo. Ele percebe que algumas pessoas cochilam, e conta o que se passou até então na trama de Zé Agemiro, antecipando o clímax metamórfico que vem por aí.

A grande metamorfose do homem que vira boi é curiosa, mas incomoda. Sonoplastia, plástica e iluminação não casam. A história em si não cativa, Zé Agemiro não é interessante e não há relação alguma com o ambiente criado no início do espetáculo. Para finalizar, o ator se despede do público ao som de Abba, Dancing Queen. A performance seria muito agradável em um show de drag queens, mas no Palco Giratório não colou – a plateia nem se levantou para aplaudir.

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* Raquel é atriz e jornalista e não perde um espetáculo deste Palco Giratório por nada. Para nossa alegria, divide suas impressões com os leitores do Olhar Conceito. Veja mais críticas no blog Três Movimentos

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