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Domingo, 20 de setembro de 2020

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Um fiel escudeiro e uma mulher sem pernas que é capaz de rodopiar conquistam a "Alencastro"

Raquel Mützenberg - Especial para o Olhar Conceito*

22 Mai 2013 - 15:52

Foto: Frank Busatto

Um fiel escudeiro e uma mulher sem pernas que é capaz de rodopiar conquistam a
Ontem a Praça Alencastro foi invadida por um circo destruído que mais parecia uma nave louca da imaginação. O Grupo Cirquinho do Revirado, de Santa Catarina, trouxe o espetáculo "Júlia" com toda a força, arrastando os transeuntes para o circo de Júlia e Palheta.

Ambos artistas de rua, cúmplices na amizade, nos números artísticos e na linguagem quase clownesca, Júlia e Palheta arrancam risadas pela simplicidade. O fato de Júlia carregar nas pernas uma enfermidade que não a permite andar, é encarado pelos dois como um obstáculo, uma fatalidade, um motivo para compaixão e, o que faz o público rasgar os olhos incrédulos: de oportunidade.

Após diversas cenas em que Palheta ajuda Júlia em algumas tarefas, e que Júlia se mostra fascinada pelas pernas dos outros, é estabelecido e inflado um clímax no qual Júlia apresentará um número de dança. Em cima do cenário móvel cheio de parafernalhas e penduricalhos, Júlia roda uma saia em cima de um assento de monociclo conectado a um círculo rotativo. É mágico ver a felicidade do casal de maltrapilhos.

Neste momento, Palheta passa uma bolsa pedindo "um dinheirinho". A contagem do total não agrada, e utilizando palavras duras e sinceras Júlia se revolta com a miséria queDa  é doada à "aleijada". A obviedade do momento é quase encoberta pelo soco no estômago que a personagem dá na plateia, que não sabe se ri ou se revolta quando a atriz sai do assento e revela que não é enferma.

A caracterização é perfeita. Gera asco, nojo e até medo na plateia que é constantemente provocada fisicamente pelos atores. A dupla estabelece muito bem as características psicológicas de ambos e o comportamento previsível de acordo com as situações que surgem. Está tudo muito bem colocado, e mesmo que alguma cena não funcione resultando em risadas, alfineta a garganta ou o estômago.

* Raquel é atriz e jornalista e não perde um espetáculo deste Palco Giratório por nada. Para nossa alegria, divide suas impressões com os leitores do Olhar Conceito. Veja mais críticas no blog Três Movimentos


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