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O homem Manoel de Barros morre nesta quinta-feira aos 97 anos: O poeta viverá para sempre

Da Redação - Stéfanie Medeiros

13 Nov 2014 - 10:00

Foto: Reprodução

O homem Manoel de Barros morre nesta quinta-feira aos 97 anos: O poeta viverá para sempre
Manoel de Barros, considerado um dos maiores poetas brasileiros e nascido em Cuiabá, faleceu por volta das 7h30 desta quinta-feira (13) no Proncor de Campo Grande, cidade onde residia. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) há duas semanas, período no qual chegou a passar por uma cirurgia no intestino.

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A morte do poeta foi confirmada por amigos e familiares. O velório será no Parque das Primaveras. O horário não foi divulgado. Manoel de Barros estava com 97 anos de idade, sendo que completaria 98 no dia 19 de dezembro. O estado de saúde do poeta começou a piorar desde 2012.


(Stella Barros e o marido, o poeta Manoel)

O poeta já não escrevia mais. Com a morte do filho mais velho, Pedro, em 2013, Manoel de Barros ficou com a saúde ainda mais debilitada. O poeta ficava internado na sua casa, aos cuidados constantes de enfermeiros. Para sair do quarto, tinha que ficar em uma cadeira de rodas. Aos poucos, Manoel perdeu sua audição, fala e comunicação com as outras pessoas.

O irmão de Manoel, Abílio Leite de Barros, disse ao Campo Grande News que a causa da morte do poeta foi falência múltipla dos órgãos. No dia 3 de novembro, Manoel chegou a ser internado para cirurgia de desobstrução intestinal. Depois, permaneceu na UTI, já sem reconhecer os parentes.


(Manoel de Barros segurando seu filho)

Manoel de Barros, casado com Stella, teve três filhos. O mais velho, João Wenceslau de Barros, faleceu em um acidente de avião em 2005. O caçula, Pedro, faleceu em 2013. Resta a única mulher, Martha Barros, artista plástica.

Manoel de Barros nasceu em Cuiabá (MT). Ainda quando criança, mudou-se com os pais para uma fazenda em Corumbá (MS). Na juventude, estudou no Rio de Janeiro. Durante toda a vida adulta, morou em Campo Grande, de onde escreveu 28 livros (o primeiro publicado em 1937 e o último em 2013).


(Manoel de Barros em sua fazenda no Pantanal)

Recluso e tímido, Manoel de Barros possui grande senso de humor. Com uma obra única, Manoel de Barros homem, como pessoa física, faleceu nesta quinta-feira (13), mas Manoel de Barros poeta será eterno. Para encerrar e falar mais profundamente sobre a vida do poeta, termino com seu poema auto-retrato:

Ao nascer eu não estava acordado, de forma que
não vi a hora.
Isso faz tempo.
Foi na beira de um rio.
Depois eu já morri 14 vezes.
Só falta a última.
Escrevi 14 livros.
E deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro.
(Posso fingir de outro, mas não posso fugir de mim).
Já plantei dezoito árvores, mas pode que só quatro.
Em pensamento e palavras namorei noventa moças,
mas pode que nove.
Produzi desobjectos, 35, mas pode que onze.
Cito os mais bolinados: um alicate cremoso, um
abridor de amanhecer, uma fivela de prender silêncios,
um prego que farfalha, um parafuso de veludo, etc. etc.
Tenho uma confissão: noventa por cento do que
escrevo é invenção; só dez por cento que é mentira.
Quero morrer no barranco de um rio: - sem moscas
na boca descampada.

Luto oficial em Mato Grosso

O governador Silval Barbosa decretou luto oficial de três dias pela morte do poeta cuiabano Manoel de Barros. O cuiabano de nascimento e campo grandense de coração faleceu na manhã desta quinta-feira (13.11), em Campo Grande, no hospital Proncor.

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