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Segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

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Crônica e jornalismo na descrição de uma jura de morte

Da Redação - Isabela Mercuri

10 Fev 2015 - 10:56

Foto: Reprodução

Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez

O livro “Crônica de uma morte anunciada”, lançado em 1981 e escrito pelo colombiano Gabriel García Márquez é um misto de crônica (como diz o próprio título) e de uma reportagem jornalística.

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O narrador conta, desde o começo do livro, a morte de Santiago Nasár, que teria tirado a virgindade de Ângela Vicário (prima do narrador). Nasar foi acusado pela própria Ângela, depois que ela perdeu seu casamento com Bayardo Sán Román pela falta do sangue que provaria sua pureza na noite de núpcias.

O casamento durou apenas cinco horas, e os irmãos gêmeos de Ângela, Pedro e Pablo Vicário, anunciaram que iriam matar o homem que ‘tirou a honra de sua irmã’.

O livro segue assim, com o narrador-jornalista contanto a história do ponto de vista dos moradores da cidade, que ficaram sabendo da jura de morte, cada um de sua forma.

Com o correr do enredo, a dúvida que fica é, principalmente, sobre porque ninguém impediu o assassinato e, mais a frente, quem seria o homem que realmente tirou a virgindade de Ângela.

No entanto, essas dúvidas não são sanadas. Num estilo “Dom Casmurro” de deixar a dúvida para o leitor, Gabriel García Márquez conta apenas as suspeitas: de que muitos moradores acreditavam que a anunciação da morte era besteira, ou de que pensavam que um caso de honra deveria mesmo ser tratado desta forma – com a morte.

Como a investigação sobre a morte de Nasar foi feita somente anos depois do acontecido, o narrador conta também o que se sucedeu a Ângela Vicário, que se apaixonou por Bayardo Sán Román e, nos anos seguintes a seu abandono, escreveu cartas para ele todas as semanas. A parte lírica e romântica da história mostra Bayardo chegando, muito tempo depois, com mais de duas mil cartas na mão e dizendo que voltara para ficar.

Ângela nunca revelou quem foi, realmente, que tirou sua virgindade, e todos os acontecimentos levavam a crer que Nasar não era o culpado, mas sim apenas uma válvula de escape para que a noiva protegesse o homem que ela amava e que era – realmente – o “culpado” no crime da desonra.

O final do livro narra com detalhes a morte – que foi anunciada durante todo o enredo. Os detalhes da descrição dão ao leitor sentimentos de asco: as tripas saindo depois da facada, Nasar andando para casa segurando os órgãos em suas mãos. No fim, ele anuncia para a mãe, que pergunta o que aconteceu: “Mataram-me” e cai no chão da cozinha.

“Crônica de uma morte anunciada” tem 57 páginas no total, e o texto inteiro não é dividido em capítulos. O preço varia de R$22 a R$39 nas lojas online.

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