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Casa do século 21 é vizinha de um castelo

Casa Vogue

27 Fev 2015 - 11:30

Foto: Casa Vogue

Casa do século 21 é vizinha de um castelo
Outro acréscimo das camadas do passado no projeto é o piso, feito de pedra lioz, rústica, sem nenhum polimento. Esse calcário de coloração bege, típico de Lisboa, é o mesmo que se contempla no Mosteiro dos Jerônimos (1502) e na Torre de Belém (1514), símbolos máximos da arquitetura manuelina. Durante as escavações da reforma foram descobertas pedras lioz medievais e romanas da época em que Portugal era a colônia de Portucale. “As pedras sempre foram reutilizadas de um período para outro. Aqui, temos alguns blocos maciços milenares”, revela Manuel sobre sua aventura na arqueologia lisboeta.


Desde 2004, a família vive na rua São Mamede ao Caldas, uma via estreita que serpenteia o morro do Castelo de São Jorge, ou Castelo, como os lisboetas denominam o bairro que abriga a Sé, a catedral da cidade, um monumento gótico do século 12 tombado pela Unesco que ele admira de seu jardim gramado que tem até poço e cisterna. A casa é um conjunto incomum de 600 m², com décor minimalista e espaços que desfilam diante do olhar. Após o hall, há uma sucessão de ambientes interligados por arcos e escadas de pedra no térreo de um pequeno prédio residencial, erguido após o grande terremoto de 1755 que devastou Lisboa, obrigando a reconstrução da capital. “Ocupamos o rés do chão, que antes foi a zona de serviços com a lavanderia, as cocheiras e os aposentos dos funcionários”, revela sobre o espaço hoje composto de hall, quarto de visitas, sala de jantar, cozinha, serviço, varanda, um home theater onde antes era a cisterna e as quatro salas paralelas que compõem o estar. Em vez de uma ala social concentrada em uma área única, ele optou por fazer vãos entre quatro cômodos da antiga construção, criando um living sequencial que incorpora a espessura de 80 cm das paredes originais, ganhando em beleza.

Outro acréscimo das camadas do passado no projeto é o piso, feito de pedra lioz, rústica, sem nenhum polimento. Esse calcário de coloração bege, típico de Lisboa, é o mesmo que se contempla no Mosteiro dos Jerônimos (1502) e na Torre de Belém (1514), símbolos máximos da arquitetura manuelina. Durante as escavações da reforma foram descobertas pedras lioz medievais e romanas da época em que Portugal era a colônia de Portucale. “As pedras sempre foram reutilizadas de um período para outro. Aqui, temos alguns blocos maciços milenares”, revela Manuel sobre sua aventura na arqueologia lisboeta.

Mas ela não para aí. Ao longo do jardim de 500 m² encontra-se o anexo, unido ao corpo principal da residência pela biblioteca. Um bloco alvo, retangular, semienterrado, que guarda apenas a área íntima. No térreo, a ala dos “miúdos”, com dois quartos, banheiro e quarto de brincar. Acima, a monástica suíte do casal, com cama baixa e arcazes paralelos às paredes, design do arquiteto em pinho do Oregon, que também reveste o piso e a escada do anexo. “Da minha cama, vejo a árvore, os dois torreões da Praça do Comércio, a principal de Lisboa, e o Tejo”, diz Manuel, que, junto a Francisco, seu irmão, forma a incensada dupla de profissionais do ofício de criar e construir que fincou o escritório Aires Mateus na ponta da arquitetura contemporânea europeia.

*Matéria publicada em Casa Vogue #354 (assinantes têm acesso à edição digital da revista)

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