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Quarta-feira, 12 de agosto de 2020

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Detetives da Fé, do Discovery, padre e jornalista buscam provas científicas para supostos milagres

Estadão

10 Jun 2013 - 16:00

Questionar as crenças de um fiel da mesma religião pode parecer um desafio para um padre, mas virou fato corriqueiro para o jesuíta mexicano Juan Carlos Henríquez, que, ao lado da jornalista conterrânea Gabriela Calzada, começa a apresentar hoje, às 21h40, no Discovery, a série Detetives da Fé.

No programa, a dupla vai atrás de relatos de supostos milagres em diferentes países da América Latina, em que conversam com pessoas que presenciaram os fatos, além de encontrar técnicos e cientistas em busca de argumentos lógicos na tentativa de entender se as situações em xeque na atração foram exageros ou fraudes.

"Um fato inexplicável não é, necessariamente, um milagre. Se tem alguém interessado em encontrar fundamentos científicos é a Igreja, que é muito cuidadosa", disse Henríquez, em conversa por telefone com o Estado. Segundo ele, a investigação para descobrir se um episódio pode ser considerado milagroso vai além de informações coletadas pelos cientistas. "É preciso ver que houve a presença de Deus", avisa. "E é preciso o aval do Vaticano", reforça Gabriela.

Entre os casos está o de uma imagem de Jesus Cristo que mudou de cor e entortou. Os dois recorrem a profissionais que falam sobre a produção de arte sacra e fazem experimentos para ver as reações de diferentes materiais, para atestar que um processo químico provocou alterações na estátua. No mesmo episódio, previsto para ir ao ar hoje, Henríquez e Gabriela vão a Quibdó, interior da Colômbia, onde os moradores juram ter visto uma chuva de sangue.

Além de ser uma das regiões com um dos mais altos índices pluviométricos do mundo, a cidade passava por uma onda de assassinatos. "O suposto sangue que caiu do céu era o menos importante naquele caso, pois era o sinal de que as pessoas queriam que acabasse a violência. Aquilo foi muito delicado, queriam que Deus se identificasse com eles", justifica o mexicano.

Por ser um padre atuante, Juan Carlos Henríquez precisou pedir autorização para integrar a equipe programa. "Apresentei o projeto e os objetivos para a Companhia de Jesus. Eles viram que isso fazia parte da minha missão", defende. "Queríamos alguém com ligação com a história de milagres. Além de ele ter formação da Igreja Católica, é professor", explica Irune Ariztoy, supervisora de produção da Discovery Networks na América Latina.

Antes de percorrer o Cone Sul, os apresentadores receberam um treinamento em Londres, onde estudaram os casos mostrados ao longo da temporada. "É como se fôssemos dois personagens, apesar de não sermos atores. Tínhamos de entender a dinâmica do programa", conta Gabriela, que já apresentou telejornais no México.

Casos brasileiros terão destaque em Detetives da Fé. Entre eles, estão o de um crucifixo que sangrou e a história de uma mulher que deu à luz depois de engolir uma das pílulas de Frei Galvão. "Não encontramos razões científicas. Para mim, não é um milagre só porque a pessoa acredita, mas eu respeito", analisa Gabriela.

Milagres atribuídos a Chico Xavier estão na lista da dupla. "Ele é um personagem amado no Brasil, mas há posturas e interpretações diferentes sobre ele", sentencia Henríquez. "As cartas que ele psicografava davam esperança às pessoas. Tentamos entender por que os espíritas recorriam a ele como solução para o sofrimento", indaga a jornalista mexicana.

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