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Projeto incentiva e auxilia na criação de marca de arte indígena; produtos já podem ser adquiridos

Da Redação - Naiara Leonor

05 Ago 2015 - 18:26

Foto: Luzo Reis

Projeto incentiva e auxilia na criação de marca de arte indígena; produtos já podem ser adquiridos
KurÂrte Bakairi é a nova marca da Arte indígena em Mato Grosso. Os artesanatos produzidos pelo Povo Bakairi, agora serão comercializados fora da aldeia. Dentre as peças, esteiras, redes, cestarias, pulseiras, anéis, brincos, banquinhos de madeira, arco e flechas e ainda tipóias de algodão (pra carregar bebês).

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A criação da marca surgiu por meio do Projeto Territórios Criativos Indígenas: arte e sustentabilidade, que em reunião de três dias com cerca de 30 participantes das aldeias que compõem o território Bakairi, promoveu o curso “Empreendedorismo Kura Bakairi”.

O Projeto, iniciado em 2014 e realizado pela UFMT com financiamento do Ministério da Cultura, desenvolve atividades de pesquisa e capacitação junto a quatro comunidades indígenas de Mato Grosso, com o intuito de projetar estratégias de sustentabilidade e geração de renda geridas pelas próprias comunidades.

Com consultoria da empreendedora social e jornalista, Creuza Medeiros e do graduado em Direito, Adriano Boro Makuda, o curso abordou temas como negociação, comercialização, empreendedorismo e valor agregado. Durante a reunião, os participantes conversaram também sobre a tradição artesã local e sua história, mostrando a arte produzida.

O resultado do curso foi satisfatório, conforme relatou uma das lideranças Bakairi, que inclusive ficou motivada a comprar uma máquina de costura para fabricar roupas e usar a tradição de pintura corporal para estampá-las. “Foi despertada a nossa sensibilidade de fazer com as mãos, criar o que vem do coração, somos mulheres esperançosas de todas as idades e cores. Gratidão é a palavra que eu sinto. Vamos que vamos”, comemorou Darlene Taukane.

A pesquisadora/articuladora do projeto entre o povo Bakairi, Isabel Taukane, também avaliou com positividade o resultado da qualificação. “As artesãs ficaram muito empolgadas, tenho certeza que irão sair coisas lindas desse projeto”.

Entre as manifestações artísticas do Povo Bakairi, está a pintura corporal, que é transposta para quadros, máscaras sagradas e outros adornos.

As redes de algodão cem por cento ecológico são outras ricas atrações das mulheres Bakairi. Dona VilintaTaukane, 78 anos, matriarca dos Taukane, conta que só o cultivo da roça demora nove meses e a fabricação da rede pode levar até 90 dias. Ou seja, quem adquirir uma rede Bakairi tem uma preciosidade.

Sobre a força de vontade desse povo, de manter a sustentabilidade e dignidade através de seu próprio trabalho, o advogado Adriano Boro Makuda que abordou sobre as questões legais envolvendo a comercialização de arte, contou que o resultado do curso foi uma poesia à parte para ele. “A simplicidade, a sinceridade, a verdade, a alegria e o brilho no olhar de cada um dos Bakairi participantes do curso me fez sentir, na profundeza da arte de viver a vida, a grandiosidade do amor transmitida nas belezas da KurÂrte Bakairi, riqueza do nosso País”, concluiu Adriano.

Na página do facebook KurÂrte Bakairi há mais informações sobre a nova marca e os comerciantes e público em geral que quiserem adquirir os produtos, podem entrar em contato pelo e-mail kurartebakairi@gmail.com.

Futuro

Outro canal importantíssimo que está sendo criado é o site a ser lançado na última etapa do projeto Territórios Criativos indígenas, durante o evento ‘Aldeia de Vivências’, previsto para o próximo mês de dezembro, em Cuiabá, que contará com a presença dos indígenas das quatro etnias envolvidas no projeto: Bakairi, Umutina, Xavante e Chiquitano. Os produtos poderão ser encontrados no mês de setembro durante o evento Primavera dos Museus em alguns Museus parceiros em Cuiabá, como o Museu Histórico e de Arte Sacra, que mantém uma loja em seu interior.

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