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AML empossa como imortal Luciene Carvalho, primeira negra a ocupar uma cadeira na Academia

Da Redação - Isabela Mercuri

12 Ago 2015 - 14:00

Foto: Reprodução

AML empossa como imortal Luciene Carvalho, primeira negra a ocupar uma cadeira na Academia
Ela não se lembra, mas com dois anos de idade Luciene Carvalho já recitava poemas para seus pais e irmãos. Com avós e avôs analfabetos, por parte de pai e mãe, mas com pais que gostavam de ler, a corumbaense (mas cuiabana de criação e coração) já lia aos quatro e começou a escrever na adolescência.

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“Nunca imaginei que isso poderia ser meu ganha-pão. Eu achava que era algo somente para fazer namorado de amiga voltar”, fala a poetisa sobre suas primeiras obras. Com o tempo, no entanto, a poesia foi se fazendo cada vez mais presente.

Ela foi embora de Cuiabá para estudar em Ribeirão Preto e afirma que este tempo foi essencial para sua formação artística: “Eu não conhecia ninguém lá, então tive mais disciplina, escrevia todos os dias”. A dedicação lhe rendeu, em 1992, o primeiro e o terceiro lugar no Festival Livre de Arte e Música Popular (FLAMP) na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

“Eu estava muito feliz, não conseguia imaginar. Era a primeira vez que mostrava minhas poesias. No ano seguinte participei novamente e ganhei o segundo lugar que me faltava, e que tinha como prêmio a publicação do livro”, conta Luciene. Assim, em 1993, seu primeiro livro foi publicado. Logo depois, a poetisa ficou sete anos refletindo sobre qual rumo tomaria em sua vida: “Não era mais medo, mas eu pensava ‘como assim escritora?’, ‘como vou fazer?’”



Em 2001 foi lançado seu primeiro livro individual. Catorze anos depois, Luciene foi eleita para ocupar a cadeira 31 da Academia Mato-Grossense de Letras: “Eu ia buscar o prêmio para minha mãe, mas ela faleceu 48 horas antes. Isso me fez pensar sobre imortalidade. Imortal é a obra, e não a pessoa”.

A posse será nesta quinta-feira (13), na Casa Barão de Melgaço, às 19h30. Mas Luciene não vê essa conquista com deslumbramento. Ela será a primeira mulher negra a ser considerada imortal na Academia Mato-Grossense, e enxerga que a maior mudança será o protagonismo:

“Eu só comecei a conseguir as coisas quando eu acreditei em mim. Ninguém veio, deu um tapinha nas minhas costas e disse que eu conseguia. Então eu acho que a maior mudança está neste protagonismo”, afirma. “Me sinto muito honrada, mas acho que demorou. Creio que a representação [dxs negrxs] amplia o valor do meu ingresso”. Com gratidão, Luciene lembra de sua mãe Conceição e afirma que a vitória não é só dela: “Sou filha da escola pública do Brasil, minha mãe proporcionou tudo para que eu pudesse estudar”.




Para o futuro, a poetisa conta que quer gravar um CD recitando poesias “para que isso possa chegar a mais pessoas, ser ouvido em grupo”, e espera pelo dia em que haja a profissionalização da literatura em Cuiabá: “berço de tantos poetas bons, pariu Manoel de Barros, pariu Ivens. É necessário que a nossa riqueza cultural tenha mais visibilidade, e isso só vai acontecer quando houver essa profissionalização do fazer literário, e mais atenção do governo”, finaliza.

Serviço


Posse de Luciene Carvalho
Data: Quinta-Feira (13)
Horário: 19h30
Local: Casa Barão de Melgaço – Rua Barão de Melgaço, 3869, Centro (Cuiabá/MT)

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