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Notícias / Artes Cênicas

Caio Fernando Abreu dará voz ao Poesia, Versos e Cordas do SESC Arsenal nesta quarta-feira

Da Redação - Marianna Marimon

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis”, "Meu coração tá ferido de amar errado”, "Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos", "Quem diria que viver ia dar nisso?", "Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável”. Estas palavras são de um escritor brasileiro, natural do Rio Grande do Sul, que aos seis anos começou a escrever que para ele era ‘uma coisa natural, talvez um defeito de fabricação – como a possibilidade de viver a vida sem inventar em cima dela’. Caio Fernando Abreu (1948-1996) será tema do Poesia, Versos e Cordas do SESC Arsenal, “Contos e Rock” nesta quarta-feira (26) às 20h, no Salão Social. A entrada é franca.

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“Da obra de Caio Fernando Abreu os atores-leitores apresentam contos que de modo distinto são entrelaçados por questões cotidianas como amor, solidão, sexo, loucura... “Contos e Rock” envolve narrativas embaladas pela pegada do rock’n’roll e apresenta flagras da realidade, terrivelmente crua e ao mesmo tempo sensível e bela, preenchendo as linhas traçadas por este contador de histórias que nos captura justamente por essas contradições”, descreve o evento.



Escritor, jornalista, dramaturgo, Caio F Abreu trabalhou em diversos veículos de comunicação como Veja, Isto É, Zero Hora, e no auge da sua carreira internacional, com a tradução e publicação de livros na França, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Itália e Estados Unidos, falece aos 47 anos, vítima de uma pneumonia aguda decorrente do vírus HIV. Caio fecha os olhos pela última vez no dia 25 de fevereiro de 1996.

Conhecido pela temática homossexual, Caio buscou a liberdade que a vida real não oferecia, nas linhas que produzia. Com um amor que transborda, o escritor elucida palavras sobre a vida, sua visão de mundo, esperanças, reencontro, desencontro, desespero, sem medo.



São 23 livros publicados, como Morango Mofados, Ovelhas Negras, O Ovo Apunhalado, Os dragões não conhecem o paraíso, Onde Andará Dulce Veiga?. Recebeu o Prêmio Jabuti, a maior honra concedida no universo literário no Brasil e também foi um dos finalistas em um dos prêmios mais cobiçados na literatura na França, o “Laura Battaglion”, com melhor romance traduzido.

"É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado”. "Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém”. "A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro”.

“Eu entro nesse barco, é só me pedir.
Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou.
Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma.Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito,
vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Mas você tem que remar também.
Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia.
Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. 
Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar”


Caio F Abreu
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