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Terça-feira, 17 de setembro de 2024

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'Cuiabá Ribeirinha'

Pesca artesanal feita por comunidades de Cuiabá e VG ganha protagonismo em exposição

Foto: Reprodução

Pesca artesanal feita por comunidades de Cuiabá e VG ganha protagonismo em exposição
O olhar do fotógrafo Cláudio Gomes mergulha o nas comunidades ribeirinhas do Praeirinho, Novo Terceiro e Porto de Cuiabá, além de Bonsucesso, em Várzea Grande, para registrar os costumes e tradições no projeto "Cuiabá Ribeirinha", que prevê a composição de um acervo etnográfico, a edição de um livro, videodocumentário e exposição fotográfica. O lançamento deve acontecer ainda neste mês. 


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A pesquisa foi realizada de janeiro a maio de 2024 e tem o objetivo de preservar os saberes e conhecimentos que esses indivíduos detêm, de práticas tradicionais, algumas das quais só existem enquanto memória, para identificar e entender como se dá a produção do imaginário coletivo que norteia as práticas nessas localidades, entre Cuiabá e Várzea Grande.

“Nesta pesquisa fotoetnográfica eu retratei o cotidiano de moradores e seus personagens com enfoque na pesca artesanal, que resiste há anos. É urgente compreender o modo de vida sustentável dessas pessoas, que está ancorado na pesca artesanal, onde todos conhecem profundamente o comportamento dos peixes, as variações anuais do rio Cuiabá, as baías e corixos, uma vez que todos pescam desde criança. Todos estão apreensivos com a possível construção de mais hidrelétricas”, destaca. 

Uma das características que singularizam Cuiabá é ser uma cidade cortada por rios que envolvem seu perímetro urbano, em torno dos quais, com certa proximidade das áreas mais urbanizadas e densamente povoadas, que habitam comunidades ribeirinhas guardando saberes tradicionais. 

Essas localidades, no entanto, não estão isoladas e possuem um cruzamento sociocultural, onde o tradicional e o moderno se misturam nessas comunidades ribeirinhas, apresentando a cerâmica, a viola de cocho, o Siriri, o Cururu e a festa de São Gonçalo como bens plenos de significado simbólico. 

Além de revelarem os conhecimentos necessários à sua produção, permeiam entre eles as crenças, os valores, o espírito de solidariedade e a vida das comunidades ribeirinhas. Esse sentimento de pertencimento constitui a essência da comunidade.

“Portanto, o objetivo e benefícios alcançados do projeto é de alertar autoridades em geral dos riscos eminentes que as comunidades ribeirinhas podem sofrer”, frisa o fotógrafo em seu relatório final de pesquisa do projeto Cuiabá Ribeirinha.

A pesquisa 

Para a realização da pesquisa, o fotógrafo-pesquisador participou de festas e reuniões comunitárias, além das visitas nas atividades cotidianas, de lazer e trabalho dos ribeirinhos.

Dentre os personagens entrevistados há festeiros, líderes religiosos, presidentes de bairro, jovens e adultos que tenham nascido nas localidades e saído para morar fora e que continuam a manter laços com familiares que vivem nas comunidades, bem como aqueles que tiveram a opção de continuar vivendo nelas. 

Também fazem parte da pesquisa moradores valorizados por sua atuação artística, cultural ou política dentro da localidade, como professores, comerciantes, poetas, músicos e outros. Além de moradores mais velhos que exercem ou exerceram atividades tradicionais como parteiras, benzedeiras, raizeiros, trabalhadores de engenhos, artesãos, pescadores, entre outros.

O projeto Cuiabá Ribeirinha é uma realização do Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação, por meio de emenda parlamentar impositiva do deputado estadual Lúdio Cabral, via Secretaria Estadual de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT), com apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Sobre o fotógrafo 

Fotógrafo autodidata, Claudio Gomes tem como influências o fotógrafo francês Eugene Atget, o húngaro André Kertész e claro, Sebastião Salgado. Mato-grossense, natural de Alto Garças, Gomes vive em Cuiabá desde 1987.
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