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Com pintura ao vivo, música e sebo itinerante, Movimento Rota celebra o grafite em Museu da capital

Da Redação - Naiara Leonor

24 Mar 2016 - 15:43

Foto: Da Assessoria

Com pintura ao vivo, música e sebo itinerante, Movimento Rota celebra o grafite em Museu da capital
A arte considerada de rua e antes marginalizada, invade o Museu de Arte de Mato Grosso nesta quinta-feira (24), a partir das 20h. Em celebração antecipada ao Dia do Grafite, comemorado no domingo (27), o Movimento Rota, sob a produção ativa de André Eduardo Andrade e Amanda Nery, promove uma noite com várias sessões de live painting, apresentações musicais, espaço para doação de roupas e várias outras integrações de linguagens artísticas.

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Foram muros, paredes, viadutos e praças. Após incendiar jovens mentes em favor do grafite livre nos espaços urbanos de Cuiabá, a mobilização que deu corpo ao Movimento Rota, ocupa também um espaço institucional de grande relevância para as artes plásticas, o Museu de Arte de Mato Grosso.

O objetivo é que a arte de rua irradie seu alcance e se torne ainda mais acessível ao interferir no cotidiano da cidade. Além das sessões de live painting, apresentações musicais e espaço para doação de roupas, a programação conta ainda com a presença do charmoso fusca do sebo itinerante, Rua Antiga.

De acordo com o produtor cultural André Eduardo Andrade, o evento também se configura como uma homenagem ao artista Alex Vallauri, pioneiro do grafite Brasil e responsável pela data comemorativa ao grafite. Ele assina obras no estilo kistsch com elementos da pop art. Vale ressaltar que no Brasil o grafite começou a se multiplicar no final dos anos 1970, em São Paulo e que hoje, os artistas brasileiros são reconhecidos entre os melhores do mundo.

“Nossa ideia é ampliar ainda mais o número de manifestações artísticas urbanas iniciadas em 2015. Muitos artistas convidados pelo Movimento Rota, multiplicaram suas criações e se dedicaram ainda mais a essa manifestação artística. A arte urbana deve ser celebrada como uma expressão artística legítima e não, marginalizada. Depois de tantas ocupações que realizamos, já sentimos uma empatia da sociedade com o grafite”, destaca Andrade.

Além dos artistas que passaram a se dedicar mais à esta arte, houveram outros que de áreas como o desenho e o designer, investiram em obras com facetas diferentes. Foi o que aconteceu com o artista plástico John Abyys, que em uma destas mobilizações, diversificou sua atuação, do desenho à caneta, passou para as latas de spray. “E a cada dia o número de grafiteiros cresce mais”, ressalta.

A produtora Amanda Nery avalia que o Movimento Rota criou também um ambiente favorável. “Sempre deixamos quadros em aberto para quem se sentir à vontade para pintar. Deixamos o material ao lado e pronto, logo tem alguém que assume o posto”, se diverte. Ela garante que o objetivo agora é ampliar a participação feminina.

Quanto ao evento que agora ocupa novo espaço, ela só tem a comemorar. “Um museu é um grande passo para nós. Dificilmente a arte de rua chega aos museus e acho que isso acaba afastando o público que tem pouco contato com a arte formal. Acho que temos que mudar essa impressão. Como o que a gente faz na rua cria uma ligação afetiva do espectador com a obra e o lugar, acho que isso possivelmente vai acontecer com o museu”. Ela acredita que, ao acompanhar os live painting no Museu, o público cativo do Movimento Rota vai aumentar seu interesse sobre o espaço considerado formal.

A diretora executiva do Museu de Arte de Mato Grosso, Viviene Lozi, concorda com essa afirmação. “A partir do momento que a linguagem urbana entra em contato com uma abordagem diferenciada, mais formal, há uma quebra de paradigma. Se a instituição parece um pouco distante, uma ação como esta faz com que o museu seja visto de uma outra forma. Esse público que dificilmente frequentaria o museu em horário normal de funcionamento, de certo vai ficar curioso para conferir outras exposições”. Para ela, estabelecendo este vínculo, se idealiza uma relação de pertencimento do espaço.

Vale ressaltar, o Museu de Arte é administrado via contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Cultura.

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