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HISTÓRIA

Em 1820, Cuiabá nasce das regiões do Porto e do Córrego da Prainha até a Igreja do Rosário

André Santana - Da Revista Casa Nova

08 Abr 2013 - 08:00

Foto: Reprodução

A partir da década de 1970, a cidade assistiu ao início de grandes obras, como a avenida do CPA.

A partir da década de 1970, a cidade assistiu ao início de grandes obras, como a avenida do CPA.

Fundada em 1719, Cuiabá se restringia até meados de 1820 às regiões do Porto e do Córrego da Prainha até a Igreja do Rosário. Ao longo do tempo, no entanto, transformações socioeconômicas trouxeram novos contornos à paisagem urbana da Capital. A partir da década de 1970, por exemplo, observou-se um processo de descentralização (decorrente do aumento da população) e o crescimento da cidade em direção ao bairro Coxipó da Ponte.

No final da década de 1980 e inicio da década de 1990, a expansão relacionou-se a criação de condomínios verticais e horizontais; principalmente próximos aos shoppings centers. Estes processos foram, ao longo do tempo, rompendo com a fisionomia barroca tradicional e produzindo uma nova dinâmica ao desenho urbano da Capital.

Hoje, prestes a completar 294 anos e com uma população estimada em 542.861 habitantes, a cidade, uma das sub-sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014, experimenta grande efervescência no mercado da construção civil, alimentada pelo momento econômico vivido pelo país nos últimos anos e, sobretudo, pela especulação imobiliária e desenvolvimento das obras de mobilidade urbana, gerados pela notícia da recepção do Mundial.

O desafio de melhorar o fluxo nas vias públicas, especialmente nas que separam a Arena Pantanal do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, prevê a construção de viadutos nas principais avenidas e de corredores viários para implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT); obras que custarão, de acordo com a Secretaria Especial da Copa (Secopa), R$ 3 bilhões.

Para a instalação do VLT cuiabano, serão construídas 33 estações em duas linhas tronco. A maior irá ligar o CPA ao Aeroporto. Já a outra sairá da Avenida Fernando Correa da Costa com destino à Praça Bispo Dom José, onde haverá integração entre as duas, totalizando 22,2 quilômetros de trilhos.

Há ainda, obras de travessia, como na Avenida Miguel Sutil, com uma trincheira que engloba as rotatórias das avenidas Jurumirim e Dante de Oliveira, o Viaduto do Despraiado, nas proximidades do Parque Mãe Bonifácia, a rotatória de acesso aos bairros Santa Rosa e Goiabeiras, bem como a trincheira que dá acesso à Arena Pantanal, no bairro Verdão e o Complexo Viário do Tijucal, na região do Coxipó.

Os trabalhos para o alargamento e modificações em diversas ruas, avenidas e pontes que ligam diferentes regiões da cidade ao Verdão, além de melhoria de acesso aos centros de treinamento (que serão localizados em Várzea Grade e na UFMT), também fazem parte do projeto, somando um total de 35 obras.

Aliadas a fatores econômicos, elas atiçam os investimentos da iniciativa privada e aquecem o mercado imobiliário. De acordo com dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda Locação e Administração de Imóveis (SECOVI-MT), mais de 185 torres serão erguidas nos próximos cinco anos. Edificações que, juntamente com as ações de mobilidade, deverão resolver problemas de infraestrutura para os próximos anos, valorizando imóveis em toda Capital.

"São muito raros; contam-se nos dedos os casos de cidades de médio ou grande porte que viram importantes transformações acontecer em curto espaço de tempo. Muito nos orgulha estar no comando do governo de Mato Grosso enquanto essas mudanças ocupam praticamente toda a paisagem urbana da capital", comenta o governador do Estado, Silval Barbosa.

Para ele, a expansão de vias já existentes, a construção de novas, e a criação de viadutos e trincheiras são a garantia de que teremos, por muitos anos, trânsito ágil e civilizado. "Moderna, futurista e funcional, pronta para as próximas décadas em sua capacidade de proporcionar transporte coletivo rápido, barato e de qualidade para a população. Quem tiver olhos pra ver não perde por esperar. Falta pouco mais de um ano para vivermos na Cuiabá do século XXI", assegura Barbosa.

Não se pode ignorar, contudo, problemas como o caos instaurado no trânsito. Motoristas e pedestres vivem uma loucura, graças à má qualidade dos desvios e de constantes e intermináveis engarrafamentos. Fora isso, há ainda dificuldade em encontrar profissionais da área da construção (Mato Grosso importa trabalhadores de outros estados, como Paraíba, Maranhão, Ceará, etc). Motivos que fazem com que os cidadãos repensem, sobre os benefícios da Copa do Mundo.

Segundo o engenheiro de trânsito da Secopa, Rafael Detoni, o transtorno decorre da falta de manutenção no projeto urbano. "Há pelo menos 30 anos a cidade não recebe mudanças significativas em sua infraestrura, por isso foi preciso construir tudo de uma vez. As ruas também são muito antigas e desgastadas, por isso estão com buracos", esclarece Detoni, ao ressaltar o cuidado na escolha das rotas alternativas, que evitam ruas do centro histórico e com raio de giro pequeno.

De acordo com o prefeito Mauro Mendes, a prefeitura de Cuiabá, responsável pela mão de obra nas operações de tapa buraco realizadas nas rotas alternativas, irá acompanhar de perto o andamento das obras e intervenções e tudo o que diz respeito à preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. "Nossas ações têm como objetivo preparar a cidade para receber o Mundial de Futebol, minimizar os transtornos aos cidadãos e maximizar as oportunidades e os resultados gerados pela Copa".

Ao passo que as ações entre Secopa e prefeitura vem minimizando os problemas, o cronograma está sendo cumprido. Para ele, as obras sanarão diversas deficiências, mas um acompanhamento futuro é indispensável. "A manutenção do desenho de qualquer cidade requer investimentos contínuos, a população aumenta e a frota tende a crescer. As obras resolverão problemas a longo prazo, mas não para sempre", pontua.

Em meio a prospecções e obstáculos, a expectativa é que todas estas mudanças, criadas para atender às exigências da FIFA, tragam, além da valorização imobiliária, o suporte necessário a uma região metropolitana, com mais estacionamentos, menos congestionamentos, transporte público de qualidade, hotéis e outros estabelecimentos que atendam a demanda dos visitantes e principalmente da população. E que as 294 velinhas que serão apagadas no dia 8 de abril celebrem, acima de tudo, o início de mudanças positivas na vida dos moradores de Cuiabá.

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