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Terça-feira, 22 de setembro de 2020

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Deformidades dento-faciais: o que são e como podemos identificar?

Dra. Ana Paula Barbosa

19 Jun 2018 - 11:00

Deformidades dento-faciais: o que são e como podemos identificar?
As deformidades dento-faciais são alterações nas proporções dos ossos da face maxila (superior) e mandíbula (inferior), acarretando em desoclusão (falta de encaixe entre os dentes superiores e inferiores) sendo assim, ocorre uma discrepância no crescimento e formação dos maxilares de um indivíduo e acontecem as chamadas deformidades dentofaciais. Elas envolvem tanto a parte dentária quanto a parte óssea, e podem ocorrer por questões genéticas ou maus hábitos durante a infância.

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As deformidades dento-faciais apresentam-se em dois tipos de classes principais, descritas na literatura científica, são elas:

Micrognatismo ou retrognatismo: A mandíbula (parte inferior) é menor que a maxila (parte superior). Neste caso, tanto pode ter havido um pequeno crescimento horizontal da mandíbula (sentido ântero-posterior), quanto um grande crescimento da maxila no mesmo sentido. Ambas as situações geram uma deformidade classificada como Classe II de Angle.

Macrognatismo ou prognatismo: A mandíbula (parte inferior) é maior que a maxila (parte superior). Neste caso, tanto pode ter havido um grande crescimento horizontal da mandíbula (sentido ântero-posterior), quanto um pequeno crescimento da maxila no mesmo sentido. Ambas as situações geram uma deformidade classificada como Classe III de Angle.
 
Estes tipos de deformidade são mais comuns do que se imagina. Quando um maxilar cresce mais do que o outro, a mordida fica desalinhada. Isso sobrecarrega um dos lados do rosto, fazendo com que o paciente tenha má oclusão, ou seja, uma mordida errada.

Essa mordida errada causa instabilidade no osso móvel da face, chamado mandíbula, que provoca não só uma alteração estética da face, mas também dores e estalos na articulação têmporo-mandibular (ATM), dificuldades respiratórias, de abertura bucal, de deglutição, entre outros problemas.

Uma característica desse tipo de disfunção é a chamada dor difusa. O paciente não consegue apontar exatamente a origem da dor. Ele acaba reclamando de dores de cabeça ou sente dores de ouvido, dor no fundo do olho. Mas os exames não apontam nada. Por exclusão das áreas de neurologia, otorrinolaringologia e oftalmologia, descobre-se que a origem é na articulação. Isso acontece pela proximidade dessas estruturas na lateral da cabeça.

O tratamento para o caso de desalinhamento dos maxilares, dentes tortos, ou estalos na ATM, consiste em uma combinação de procedimento cirúrgico e ortodôntico (utilização de aparelhos ortodônticos). Os aparelhos deixam os dentes bem posicionados em relação aos respectivos ossos, independente da relação entre eles, assim o paciente pode ser submetido a correção óssea.

Pode haver decisão de encurtar a mandíbula ou alongar a maxila ou ambos os procedimentos simultaneamente, dependendo da gravidade do caso sendo estes o tratamento cirúrgico que tem a função de reposicionar os maxilares para buscar um equilíbrio e estabilidade da mordida. Esse procedimento cirúrgico é chamado cirurgia ortognática. O paciente fica um dia internado e sai da cirurgia podendo falar e se alimentar de alimentos líquidos e também pastosos, geralmente por 2 a 3 semanas. Antigamente, o paciente chegava a ficar 45 dias sem poder falar, se alimentar e nem respirar adequadamente.

Não existe cicatriz externa, o procedimento é realizado totalmente dentro da boca. Os materiais de fixação utilizados, como mini-placas e parafusos de titânio, são extremamente delicados, de modo que o paciente só consegue vê-los com raio-x. E além de corrigir o posicionamento estético e funcional da boca, o tratamento tem um benefício psicológico, elevando a auto-estima consideravelmente.

Vale lembrar que o tratamento ortopédico só funciona para corrigir o posicionamento dos maxilares quando o paciente está em crescimento. Quando o crescimento ósseo sessa, há a possibilidade de se realizar a cirurgia ortognática.

Em alguns casos, a cirurgia acontece mais cedo, se a diferença dos maxilares é muito grande e não há tempo hábil para corrigir isso apenas com o tratamento ortopédico.

Plano de saúde cobre este Tratamento?

Nem sempre. Porém se o paciente possuir um Plano de Saúde é possível negociar para que o convênio faça a cobertura das despesas hospitalares necessárias para execução da cirurgia. Demais despesas são negociadas entre as partes.

*Ana Paula é cirurgiã bucomaxilo facial plantonista do Pronto-Socorro Municipal (PSM), professora de residência em Cirurgia Buco-maxilo-facial no Hospital Universitário (HGU), mestre pela Universidade de Cuiabá (Unic) em Ciência Odontológicas, e doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

A Dra. Ana Paula atende na Rua Buenos Aires, 525. Jardim das Américas. Telefones (65) 3052-4696 e (65) 99233-4696.

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