Olhar Conceito

Terça-feira, 26 de outubro de 2021

Notícias / Política Cultural

Praça Alencastro

Coletivos feministas chamam ‘Greve Geral’ com ato artístico e político no próximo 8 de março

Da Redação - Isabela Mercuri

25 Fev 2019 - 17:17

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Foto do ato 'Mulheres Contra Bolsonaro' que aconteceu em setembro de 2018

Foto do ato 'Mulheres Contra Bolsonaro' que aconteceu em setembro de 2018

Oito de março é instituído como Dia Internacional da Mulher. No entanto, para os coletivos feministas de Mato Grosso, há pouco a se comemorar. É por este motivo que eles chamam, para a data, uma Greve Geral de Mulheres, em congruência com outros lugares do mundo. Em Cuiabá, um ato acontecerá na Praça Alencastro, a partir das 16h, com manifestações artísticas e uma plenária, onde serão discutidos principalmente: reforma da previdência, reforma trabalhista, PEC 95, Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro e feminicídio.

Leia também:
Sob forte chuva, mulheres mantém manifestação contra candidatura de Bolsonaro

“A construção do 8 de março é feito por uma frente ampla de mulheres, chamada Mulheres na Luta, e desde 2016 a gente acata ao chamado da Greve Internacional puxado por feministas do mundo todo, como Judith Butler, Angela Davis, entre outras. Esse ano nós estamos chamando a Greve Internacional de Mulheres com a preocupação com essa virada autoritária que a política mundial está dando, e que violenta primeiro as mulheres”, afirma a assistente social Lelica Elis Pereira de Lacerda, uma das organizadoras do ato em Cuiabá.

Segundo Lelica, as políticas conservadoras atingem primeiramente as mulheres. “Quando você tem corte de investimentos em políticas públicas, a precarização das políticas públicas recai prioritariamente sobre as mulheres, que são responsáveis, praticamente exclusivamente, pela reprodução biológica dos filhos. A gente adere ao chamado de Greve Geral Oito de Março entendendo que no Brasil nós precisamos construir uma greve geral pra poder barrar as perdas de direitos que se anuncia”. Neste ano, o lema da greve é: “Greve Geral Pelo Direito das Mulheres: Somos Todas Marielle”.

A professora doutora explica ponto a ponto porque as reivindicações prejudicam as mulheres:

Reforma trabalhista: “A reforma legaliza o trabalho intermitente, o trabalho pago por hora sem registro, e a gente sabe que o segmento no mercado de trabalho mais precarizado é o das mulheres, sobretudo as mulheres negras. Elas são 96%, por exemplo, das pessoas empregadas por contrato terceirizado de serviço de limpeza. A gente entende que a reforma trabalhista é uma forma de tornar os trabalhadores desprotegidos em relação ao mercado. Vamos ter um processo de precarização dos vínculos trabalhistas versus uma reforma de previdência, que requer o aumento do tempo de contribuição”.

Reforma da previdência: “Vamos ter mulheres empregadas informalmente,que precisarão ter 40 anos de contribuição pra poder aposentar. Essa é quase uma missão impossível. Quanto mais precarizado for o trabalhador, mais impossível é a missão de conseguir se aposentar. E a reforma de previdência tem outros requintes de crueldade em relação às mulheres, porque ela aumenta a idade mínima, desconsiderando que as mulheres têm dupla e trilha jornada de trabalho. A reforma da previdência amplia o tempo de contribuição desconsiderando, por exemplo, que as empregadas domésticas não têm, no geral, vinculo empregatício com seus patrões, e geralmente elas não conseguem ter um acúmulo de dinheiro pra pagar no final do mês as contribuições previdenciárias. A reforma da previdência, além disso, não conta trabalho doméstico como trabalho digno de proteção social. O que teremos vai ser um exército de mulheres sem direito a aposentadoria, casadas com companheiros que vão aposentar, e quando eles morrerem elas terão uma pensão de valor menor que um salário mínimo, porque a pensão já não é mais o valor integral, e o governo pretende desregular o benefício do valor do salário mínimo.

PEC 95: “Congela por 20 anos os investimentos públicos, precarizando a saúde, a educação, e a ausência desses serviços também recai sobre as mulheres, porque são as mulheres que são responsáveis pelos seus filhos. A proposta de ensino à distância no Ensino Fundamental vai significar a retirada do Estado a responsabilidade por manter escola, professor, sala de aula, e [tudo isso vai] recair mais uma vez sobre a mulher, que além de trabalhar fora, cuidar da casa, ainda vai ter que se preocupar com a educação, em transmitir o ensino formal para seus filhos.

Direito sobre o corpo: “Além de todas essas perdas no âmbito dos direitos sociais, temos o processo de retrocesso conservador que coloca em cheque os direitos da mulher sobre seu próprio corpo. Nós tivemos uma proposta de limitação do uso de métodos contraceptivos, que foi retirada depois da péssima repercussão, mas que mostra o que essa virada autoritária vem imbuída de conservadorismo, colocando inclusive em cheque o direito ao aborto em caso de estupro, propondo pagamento de bolsa, como se a mulher não tivesse menor condição de responder sobre seu corpo, como se uma bolsa irrisória fosse compensar uma violência que não é só do corpo, mas também uma violência moral, que é o estupro. A gente está num período que ao invés de coibir o estupro, você remedia e impõe à mulher a aceitar sua condição.
Pacote anticrime: “Quando ele flexibiliza o que é crime, e coloca que o homicídio por fortes emoções pode ser perdoado, a gente tem certeza que vai enquadrar o feminicídio. Historicamente o feminicídio era perdoado pela justiça pautado no crime passional, e esse pacote do Moro, com essa proposta, vem flexibilizar a concepção de homicídio, abrindo brecha para que as mulheres continuem sendo massivamente mortas e os homens saiam impunes”.

Flexibilização da posse de arma: “Vai ter uma vítima prioritária, que são as mulheres. Hoje, metade das mulheres que são mortas no Brasil são mortas por arma de fogo. E facilitar a posse de armas tende a facilitar essa taxa de feminicídio e complexificar o processo de violência contra as mulheres (...) e o processo de denúncia, apuração e libertação das mulheres das suas relações abusivas”.

Demarcação de terras: “Para mulheres indígenas e quilombolas, a dignidade da sua vida está ligada à posse da terra. Então quando o governo fala que não ceder um centímetro de terra a essas mulheres é uma afronta aos direitos fundamentais das mulheres indígenas e quilombolas”.

Feminicídio: “Destacaremos a violência sofrida pelas mulheres negras, que aumentou em 54%, enquanto diminuiu em 10% para as mulheres brancas; destacaremos [também] o aumento do lesbocídio em mais de 200% de 2014 pra cá”.

O ato público está programado para começas às 16h, com atividades artísticas que tenham proposta de provocação estética. Logo em seguida, acontece uma plenária de mulheres, com o objetivo de construir uma pauta mínima de diversas instituições de Mato Grosso e, por fim, mais atividades culturais.

Serviço

Greve das Mulheres – Pela vida das mulheres #SomosTodosMarielle
Local: Praça Alencastro
Horário: 16h
Entre em nosso grupo de WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Comentários no Facebook

Redes Sociais

Sitevip Internet