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Do entrudo às escolas de samba: como o carnaval ganhou espaço nas ruas de Cuiabá

Da Redação - José Lucas Salvani

02 Mar 2019 - 15:30

Foto: Do acervo de Francisco das Chagas Rocha

Do entrudo às escolas de samba: como o carnaval ganhou espaço nas ruas de Cuiabá
Os primeiros registros carnavalescos em Cuiabá tem quase 160 anos. As chamadas “Sociedades Dançantes” promoviam os bailes de carnaval e anos mais tarde muitos clubes reinaram até a chegada das primeiras escolas de samba por volta da década de 1960. O carnaval, entretanto, em seus primeiros anos de vida em Cuiabá era tão pouco respeitado.



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Conforme Aníbal Alencastro, autor do livro “Cuyabá: Histórias, Crônicas e Lendas”, explica ao Olhar Direto, o “entrudo”, nome dado ao carnaval na época, consistia em lançamento de água, farinha e tintas uns aos outros mascarados.

Com o passar dos anos surgem as “Batalhas de Confete”, que acontecia o que o próprio nome sugere. Nesta mesma época as marchinhas ganham força. A rádio “A Voz d’Oeste” foi fundamental para a popularização de tais canções graças a promoção de concursos de marchinhas às vésperas do feriado.



Aníbal explica que na época, a relação Cuiabá-Rio, ainda que fortalecida através da elite, foi fundamental para a construção do carnaval cuiabano. Segundo o escritor, era a elite carioca que trazia as principais influências de lá, resultando na criação de vários clubes, como o famoso Clube Feminino.

A instalação da indústria automobilística no Brasil no final da década de 1950 também influenciou no carnaval da capital mato-grossense. Surge então o Corso, fazendo com que o carnaval cuiabano se torne pela primeira vez motorizado.

Os carros, enfeitados de serpentinas, desfilavam nas ruas 13 de Junho e Joaquim Murtinho. Seus passageiros carregavam consigo saquinhos com confetes que eram jogados contra os carros que se cruzavam, simulando uma batalha.

Em paralelo ao carnaval de Corso e até mesmo antes da motorização, os Carnavais de Rua já tinham espaço em Cuiabá. Entre as décadas de 1930 e até metade da década de 1960, os cordões tomavam conta das ruas por suas temáticas quase que únicas, geralmente ligadas a navegação visto que até a década de 1950 a cidade era muito ligada a navegação fluvial.

Cada bairro tinha seu próprio cordão, quase um bloco se compararmos aos termos usados hoje em dia. Ao todo, eram por volta de 10 cordões que desfilavam pelas ruas da cidade. A manutenção de cada cordão era feita pela comunidade representante; famílias costuravam suas próprias fantasias em nome de seu cordão.

É justamente na década de 1950 que acontece a primeira tentativa de criar a primeira escola de samba cuiabana por Jacildo de Jesus. O musicista não conseguiu vencer as barreiras tradicionalistas e a tentativa de fazer uma escola de samba acontecer em Cuiabá durante 1954 foi totalmente em vão.

Mais de 10 anos após a primeira tentativa, em 1967 surge a escola de samba Deixa Cair, fundada pelo carioca Humberto Mendes de Oliveira e China, se tornando oficialmente a primeira deste segmento na cidade. É a partir desta escola que o nome Telmo José da Costa cai na popularização no público cuiabano, se tornando um ícone do carnaval principalmente porque também desfilava por sua escola.
 
Foto: Do acervo de Francisco das Chagas Rocha


A escola de samba foi polêmica na época porque as moças que desfilavam por ela vinham das casas noturnas espalhadas pela cidade. A decisão de trazê-las parte do motivo de que as mulheres na época não desfilavam sem máscaras, fazendo com que as garotas de programa ganhassem espaço na escola por não darem importância para tal.

O primeiro desfile da escola de samba acontece na Avenida Getúlio Vargas no ano de sua fundação, caindo no gosto popular graças ao espetáculo que proporcionou. Apesar do sucesso, a escola durou somente sete anos, conquistando quatro títulos de campeã e dando espaço para o surgimento de novas escolas. Muitas delas surgiram a partir dos cordões que faziam muito sucesso na década de 1950.

Dentre as escolas que surgiram após a Deixa Cair, fica como destaque a Mocidade Independente Universitária, a mais famosa de Cuiabá. Por 10 anos consecutivos, a escola levou o título de campeã e também trouxe nomes renomados do carnaval carioca para cá, como o Neguinho da Beija-Flor. Seu último desfile aconteceu no início da década de 1990.

Em 2019, a prefeitura de Cuiabá não promoverá o tradicional carnaval. Em razão de 300 anos de Cuiabá, o carnaval foi adiado para data comemorativa. O anúncio foi feito pelo prefeito Emanuel Pinheiro por meio de um vídeo no Facebook. Segundo ele, “não temos condições de convidar os parceiros a investir no Carnaval, e um mês depois investir nos 300 anos de Cuiabá”.

Apesar da fala do prefeito, na quinta-feira (28) a produtora de shows ‘Nilmo Eventos’ confirmou quatro dias de folia na Orla do Porto, com patrocínio da Skol e principal atração Henrique e Diego - a dupla confirmou sua vinda a capital no Instagram. O evento acontece entre os dias primeiro e quatro de março.

2 comentários

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  • Cibele
    02 Mar 2019 às 21:40

    Carnaval é e sempre será a festa mais democrática... cada um aproveita como quer, uns agitam nos blocos, escolas de samba, outros vão para retiros de igrejas e outros simplesmente curtem ficando em casa, descansando!!!!

  • Pedro Osório
    02 Mar 2019 às 20:22

    O carnaval de Cuiabá começou a acabar quando a TV Centro América coomeçou a transmitir o desfile do Rio de Janeiro. Os blocos cuiabanos começaram a imitar as escolas cariocas e claro que nunca conseguiram. Nos últimos dois anos os blocos começaram a voltar e quem sabe vai melhorar, mas ainda assim com vícios (uso de abadá e tenativa infrutífera de fazer samba de enredo). Os cuiabanos nunca tiveram personalidade quanto a isto.

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