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Artista cuiabano com problema irreversível de visão expõe em feira colaborativa e sustentável

Da Redação - Pedro Coutinho Bertolini

12 Dez 2019 - 11:09

Foto: Divulgação

Artista cuiabano com problema irreversível de visão expõe em feira colaborativa e sustentável
O artista Leopoldo Coutinho, hoje com 26 anos,  surpreendeu a família aos cinco anos de idade, quando fez seu primeiro desenho. Ninguém acreditava que aquele menino, filho de mãe portadora de toxoplasmose durante a gravidez, iria se tornar um exímio desenhista. A doença na gestação fez com que o artista nascesse prematuro e com a visão debilitada. Mas ele carregava grandes habilidades, e neste sábado (14), expõe suas obras na 2º edição da ‘Feira Gaia’, no Espaço Garden, a partir das 16h. A entrada custa 1 caixa de leite.                 

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A obra de Leopoldo é sensível e excêntrica, valorizando a peculiaridade do artista e sua versatilidade. As produções são feitas refletindo sua visão de mundo, angústias, tristezas, felicidades e realizações com trabalhos criativos e originais. Ele possui habilidades em quase todas as plataformas, mas tem preferência por papel e caneta. E em razão de sua visão especial, os desenhos precisam ser feitos com os olhos bem próximos da superfície trabalhada.

Leopoldo diz que não lembra bem como a dificuldade na visão o afetava na infância, mas conta que “decorava" as imagens para depois tentar reproduzi-las. Ao longo tempo, percebeu que poderia criar sua própria arte.

“Eu era pequeno, mas tinha uma memória fotográfica boa. Eu via o desenho em partes e, conforme eu ia vendo, eu ia tentando decorar a imagem para assimilar e conseguir reproduzir.  Mas aí, depois de um tempo, comecei a perceber que eu conseguia criar arte e não só replicar. Foi quando eu comecei a desenvolver meu lado criativo”, relata.

Nesse âmbito criacionista, Leopoldo destaca dificuldades e preferências. “Eu gosto muito de colocar em práticas detalhes, por isso sou muito minucioso para não deixar passar nenhum canto, esfumaçamento, traço, espessura, proporção do desenho. São coisas que ainda sinto dificuldades, mas venho trabalhando nisso, como por exemplo o detalhe de uma veia, um poro da pele, algo realista, dependendo do material, do papel, da gramatura. Se for no grafite, lapiseira ou papel canson, que fica melhor para os detalhes, principalmente com lapiseira 0,3 ou 0,5.” detalhou.

Estudante de Publicidade e Propaganda, Leopoldo já expôs sua obra em eventos na Casa do Artesão e Praça da Mandioca. Em sua última entrevista ao Olhar Direto, há cinco anos, o artista explicou que, na época, ainda não se sentia preparado para comercializar seus desenhos, apenas dava para quem o pedia.

De lá para cá, Leopoldo desenvolveu suas técnicas e aprimorou seus conhecimentos artísticos. Hoje, se diz pronto para vender as obras, pois aprimorou suas habilidades e acredita que até mesmo a faculdade pode lhe auxiliar e dinamizar sua visão comercial na área.

“Desses últimos cinco anos para cá, digamos que a técnica em alguns aspectos melhorou pra caramba. Eu estudo semanalmente com a Margareth Brandao e percebi que o que eu preciso trabalhar mais são noções de proporção, que é uma coisa que já estou evoluindo, sempre buscando o melhor. Acredito que estou pronto para comercializar minhas obras, mas também busco trabalhar em projetos mais ambiciosos para depois conseguir entrar num mercado mais estável”.

Suas inspirações neste período também mudaram. Antes, Leopoldo conta que buscava referências em franceses, espanhóis como Salvador Dali, e o matogrossense Clovisi Irigarai. Hoje busca inspiração em tatuadores e artistas jovens brasileiros, como Susano Correia, e os regionais André Gorá e Ana Flavia art.

Para Leopoldo, sua participação na feira reforça, ainda, a importância da visibilidade e inclusão para que outros artistas que, assim como ele, vencem as barreiras de suas deficiências. “Dá espaço para quem está começando, ainda mais para aquelas pessoas com deficiência. Essas pessoas podem ir fundo e se sentirem bem-vindas, aproveitar esses espaços. Estou com os pés e cabeça neste evento, e vou expor e tentar vender meus trabalhos. E também estou disposto a participar de eventos futuros”.

“A arte é uma forma de expressar o que a gente sente perante o mundo, as pessoas, todas as situações. E todo mundo tem o direito de expressar sua arte. A arte me acrescentou muito, moldou minha personalidade de uma forma inexplicável, tornou minha visão de mundo diferenciada, e eu consigo expor isso em meus desenhos”, acrescentou.

O evento

A 2º edição da ‘Feira Gaia’ acontece neste sábado (14) no Espaço Garden, das 16h às 23h. Buscando estimular o comércio artístico e cultural no Estado, o evento conta com a participação de diversos artistas e tem objetivo sustentável e solidário.

“Nesta edição continuamos com o mesmo propósito, que é fomentar a economia criativa e colaborativa do nosso Estado, contribuir com a valorização da nossa cultura, lutar por uma Cuiabá mais verde e por um mundo melhor e mais sustentável”, explicou a artista plástica, curadora e realizadora do evento, Adriana Milano.

A entrada da feira será 1 litro de leite para ser doado à  Associação de Catadores de Material Reciclável e Reutilizável - Mato Grosso Sustentável. Apoiando as mulheres da associação, todo leite arrecadado será destinado para o grupo que, por sua vez, vai expor um trabalho de conscientização e orientação para reciclagem de materiais reutilizáveis. Para isso, haverá um ponto de coleta de eletrônicos, garrafas pets e óleo de cozinha. A feira convida a todos a colaborar com a ação. 

O evento vai contar com projeção fotográfica de Rai Reis, show de Larissa Padilha, venda de desenhos por Leopoldo Coutinho, distribuição de mudas pelo Projeto Verde, Flash Tattoo com a Tattoo Gallery e mais quarenta artistas nas áreas de design, moda , música, literatura, gastronomia, sustentabilidade, terapia, coach, Yoga, paisagem e fotografia.

Para Adriana, a presença de artistas como Leopoldo, além de estimular o comércio de arte serve como janela para o conhecimento de suas obras. “A feira tem como objetivo  estimular o comércio de arte, bem como divulgar novos talentos. O Leopoldo é um artista que precisa ser conhecido e incluído no mercado de arte”, frisou.            

Durante a feira haverá comidinhas de boteco e afins, preparadas e comercializadas pelo Espaço Garden e expositores com opções de comidas veganas.

Serviço

Dia: 14/12 - sábado
Horário: das 16h às 23h
Local: Espaço Garden Rua Salah Solamein Ayoub, n.300, Cachoeira da Garças Coxipó próximo à rotatória do bairro Jardim Imperial e antiga fábrica da Brahma hoje Heineken

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