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Sábado, 05 de dezembro de 2020

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Casar ou não casar? Atores descobrem que a maioria das histórias não tem final feliz

Raquel Mützenberg - Especial para o Olhar Conceito*

10 Mai 2013 - 10:39

Foto: Divulgação

Casar ou não casar? Atores descobrem que a maioria das histórias não tem final feliz
Com um bate-papo sincero sobre a relação do casal, o prólogo de “Amor Eterno” é delicioso. Os atores Claudia Ventura e Alexandre Dantas estão no palco, horas antes da cerimônia do seu casamento, dividindo com o público a dúvida de casar ou não. Eles resolvem rever contos de Arthur Azevedo sobre o amor,mas descobrem que a maioria das histórias não tem final feliz.

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As intervenções com a plateia são bem dosadas e têm função na narrativa. A identificação com o casal no palco é inevitável, cativando a confiança até de quem um dia já se decepcionou. O ator Alexandre Dantas lança a pergunta: “alguém aqui é separado?”. Várias mãos orgulhosas se erguem. O ator escolhe uma senhora para questionar o motivo da separação: “Ah, ele arranjou outra, e bem mais nova!” – confessa aos risos.

As situações que o amor (ou a falta dele) cria são satirizadas pelo casal de atores, que utilizam música e apenas duas cadeiras para encenar os oito contos de Artur de Azevedo. Ela, Claudia Ventura, se destaca pela atuação e o tempo da comédia muito bem acertado.

Casados na vida real, muito do que há no espetáculo é resultado de suas experiências juntos. Eles trazem à cena a discussão do primeiro beijo que ele roubou dela, mas o “descarado”, como ela diz, esqueceu. A diretora Inês Viana trabalhou a dupla durante dois meses buscando valorizar os contos de Artur Azevedo e, ao mesmo tempo, pinçando momentos do casal que seriam úteis à cena.

A sonoplastia está sempre presente e tem um papel importante na narrativa. Os atores também cantam bastante em cena, sempre colaborando ao tom da comédia. O cenário é basicamente duas cadeiras, que se transformam em palco, bolsa, ônibus, carro, e tudo o que for preciso para que a estória seja contada.

A opção pela simplicidade do cenário, explicam os atores, é para que a produção não seja cara. No final do espetáculo, já quando a plateia saía do teatro, um espectador grita: - “Ela não vai jogar o buquê?!”. Dantas, muito sincero responde: - “Não, porque não temos patrocínio para isso”.

Durante o bate-papo os atores abordam as questões financeiras do campo teatral e confessam que o espetáculo foi planejado para ser um produto com boa aceitação de público. As gargalhadas durante toda a peça confirmam a expectativa da Companhia Falácia.

* Raquel é atriz e jornalista e não perde um espetáculo deste Palco Giratório por nada. Para nossa alegria, divide suas impressões com os leitores do Olhar Conceito. Veja mais críticas no blog Três Movimentos

Veja cena da peça: 


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