Olhar Conceito

Quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Notícias / Literatura

Mato-grossense de 86 anos lança livro que escreveu para estancar dor após morte do marido

Da Redação - Isabela Mercuri

20 Jul 2017 - 17:03

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Dona Maria Leida

Dona Maria Leida

Foram 59 anos de historia, até que em um dia qualquer de 2011, Jorge de Morais faleceu em decorrência de um infarto fulminante. Dona Maria Leida de Morais, mato-grossense de Guiratinga, mas que vive em Cuiabá desde 1960, se viu sem chão. Da necessidade de contar ao marido o que lhe acontecia nos dias sem ele, e de relembrar dos tempos áureos ao seu lado, nasceu o livro ‘O Sonho não morreu’ que, após cinco anos, a mulher vai lançar nesta sexta-feira (21), na Galeria Lavapés, à partir das 20h.

Leia também:
Livraria fecha as portas em Cuiabá e coloca estoque à venda por R$ 10

Este é o “primeiro e último” livro de Maria, que completou 86 anos de idade no último dia 5 de julho. Foram impressos 500 exemplares pela editora Entrelinhas, que serão distribuídos para amigos e familiares durante o lançamento. Para ela, a intenção nunca foi vender. “É como um presente, algo que eu quero dedicar às pessoas especiais”, afirma.

A publicação do livro nunca foi planejada. “Assim que ele morreu, eu precisava falar com ele. Então pegava qualquer papel que estivesse espalhado pela casa e escrevia... contava as novidades, ou simplesmente falava ‘Lembra, Jorge...?’. Meus filhos viram o que eu estava fazendo e me sugeriram: porque não escrever um livro?”, conta, sentada na espaçosa sala de sua casa cuiabana, enquanto os parentes que vieram de longe para o lançamento se amontoam, riem e conversam na cozinha.



Dos quase 60 anos de casamento de Maria com Jorge, nasceram seis filhos, sendo quatro mulheres e dois homens, e nove netos. Além disso, uma bisneta está a caminho. Foi por conta da vida que teve que Maria escolheu o nome do livro, ‘O sonho não morreu’. “Eu só estudei até a quarta série primária, porque naquela época os pais não achavam que era importante que as filhas mulheres estudassem. Mas eu nunca me senti inferior a ninguém por isso. E sempre tive grandes sonhos, de me casar e me manter casada com meu marido até que Deus nos separasse, que eu formasse todos os meus filhos e visse a formatura de todos os netos. Tudo isso se realizou. Só um neto meu que ainda não se formou, então, por isso, meu sonho não morreu”.

Maria e Jorge se conheceram na Praça da República, numa época em que o local era o point dos jovens da cidade. Foram três anos de namoro à distância, porque ele morava em Rondonópolis, até a união ser oficializada. Para ela, durante as quase bodas de diamante, um dos momentos mais marcantes foi a viagem que os dois fizeram para a Europa. “No livro eu falo com ele, pergunto se ele se lembra de quando conhecemos os castelos medievais, a igreja de Notre Dame em Paris... também falo sobre o nascimento de nossa filha mais velha, de tudo o que marcou nossa vida”.

Dentro do livro, que tem 143 páginas, Maria ainda colocou fotos, e homenageia pessoas importantes que passaram pela vida do casal, contando histórias que até mesmo os filhos desconheciam. Maria Aparecida Morais, a filha mais velha, mora em Fortaleza e veio para Cuiabá só para o lançamento. “Estamos todos muito orgulhosos, ainda mais por nossa mãe, com essa idade, e sem uma formação universitária, ter escrito um livro desses. Eu li algumas partes e tem coisas que nem eu sabia. Mas quero esperar para ler tudo mesmo sozinha, quando voltar pra casa”.

O livro ‘O sonho não morreu’ será lançado nesta sexta (21), em um evento só para convidados na Galeria Lavapés. Todos os 500 exemplares serão distribuídos gratuitamente para amigos e familiares.

Comentários no Facebook

Redes Sociais

Sitevip Internet