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Estudo comprova qualidade de argila mato-grossense para produção de cerâmica

Da Redação - Vitória Lopes

06 Mar 2018 - 14:05

Foto: Gcom-MT

Estudo comprova qualidade de argila mato-grossense para produção de cerâmica
Um estudo técnico realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/MT), mostrou que a argila mato-grossense tem qualidade para produção de cerâmica. O estudo resultou no “Projeto de Pesquisa e Caracterização de argila para a indústria de cerâmica da região centro sul de Mato Grosso”, que teve investimento de R$ 413 mil.

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Com 12 etapas ao todo, o projeto já concluiu 8 delas, e a previsão de finalização é em abril. Até o momento, as fases do projeto se dividiram em pesquisa e rastreio de informações geológicas, visita técnica nas áreas de pesquisa, designação das áreas de pesquisa, formulação das linhas de coleta, localização dos materiais extraídos, definição dos códigos específicos, envio das amostras para ensaio e realização de testes físicos e térmicos.

O estudo aponta que foram encontrados diversos pontos que possuem a matéria-prima que dá origem aos revestimentos cerâmicos em Mato Grosso: 7 em Cuiabá, 23 em Diamantino, 9 em Dom Aquino e 11 no Alto Araguaia (182 km, 151 km e 421 km, respectivamente).

As informações foram apresentadas na última semana, na Sedec, e contou com representantes das entidades envolvidas, como os secretários adjuntos da Sedec de Indústria, Comércio, Minas e Energia e de Empreendedorismo e Investimentos, Lucas Barros e Leopoldo Mendonça, respectivamente, além do técnico do Senai, Lucas Gouveia, responsável pelo detalhamento do estudo e de membros da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e iniciativa privada, entre outros.

A argila de Mato Grosso

Dados de diversas análises laboratoriais, inclusive em nível industrial, constataram que a argila presente em algumas regiões como Cuiabá, Alto Araguaia, Dom Aquino e Diamantino é de boa qualidade e abundante, como explicou o técnico Lucas Gouveia.

“Hoje, a nossa referência é, sem dúvida, o polo de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, que é considerado um dos maiores do mundo e responsável por 85% de toda a produção de revestimos cerâmicos da cidade. Entretanto, após minuciosas análises, constatou-se que a argila coletada em Diamantino (220 km ao norte de Cuiabá), possui qualidade superior a encontrada no polo paulista. Também estimamos um volume impressionante de argila na região que daria perfeitamente para suprir a demanda de cinco ou seis indústrias gerando produto por um século”, revelou Lucas.

Ainda conforme o gestor do Senai/MT, Mato Grosso apresenta um enorme potencial a ser explorado no mercado de extração de argila para transformar em cerâmica em porcelanato, pois possui uma matéria-prima de altíssima qualidade, já atestada e abundância de matéria-prima. O gargalo, segundo ele, está na questão de geração de energia para subsidiar o funcionamento de uma indústria do segmento que é movida a gás.

“Pensamos em diversas estratégias para levar o gás que viria da Bolívia até a região de Diamantino, por exemplo, mas, o custo fica inviável. O que estamos analisando agora é um projeto para gerar energia através de biodigestores que possam transformar insumos como o milho ou mesmo os resíduos produzidos por frigoríficos para transformar em gás e, assim, conseguir manter as indústrias em pleno funcionamento e otimizando custos”, explicou.

Uma vez que o projeto de viabilidade e qualidade está pronto, o próximo passo, segundo Gouveia, é tirar do papel a proposta elaborada de uma “planta piloto para uso de biogás como fonte de energia renovável para uso direto em processos produtivos da indústria cerâmica (porcelanato esmaltado)’ cujo investimento está orçado em R$565 mil. “O estudo foi conduzido pelo Senai/MT e a nossa ideia é pioneira, pois, não existe ninguém no mundo fazendo esse tipo de atividade utilizando energia limpa. “Se der certo, seremos os precursores de uma ideia que pode mudar o cenário mundial”, previu.

Mercado

Como resultado do projeto, alguns empresários já estão demonstrando interesse em possíveis investimentos, como citou o diretor da Fiemt, Luiz Carlos Richter.

“Empresas nacionais que já atuam no setor estiveram ‘in loco’ para verificar as condições de implantação, inclusive, gente da Itália tem nos procurado para saber mais detalhes de como poderiam instalar aqui seus negócios. O gargalo é mesmo a questão do fornecimento do gás e a questão burocrática de licenças ambientais e fundiária. Precisamos que o Governo apoie esta atividade e que somemos forças para colocar em prática o que temos na teoria e, assim, conseguirmos fomentar uma nova modalidade industrial em Mato Grosso que pode gerar centenas de empregos e levar desenvolvimento aos pequenos municípios”.  

Demanda

Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmicas para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anface) anunciados em novembro do ano passado, o Brasil é um dos principais players do mercado mundial, ocupando a segunda posição em produção e consumo de revestimento cerâmico, além de ser o sétimo na escala de exportação.

As exportações brasileiras de cerâmica chegaram a atingir 111 países, totalizando 94,3 milhões de metros quadros em 2017. Os maiores compradores são os atacados e distribuidores especializados em revestimentos e granito.

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