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Conheça o cacerense membro da Academia Brasileira de Artes que expõe em Paris no próximo mês

Da Redação - Isabela Mercuri

16 Set 2018 - 09:24

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Conheça o cacerense membro da Academia Brasileira de Artes que expõe em Paris no próximo mês
Foram influências de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Portinari que levaram o mato-grossense Sebastião Mendes, 52 a criar seu estilo figurativo, que pode ser definido como expressionista. Mas ele também bebeu de fontes como Rembrant e Almeida Junior antes de se definir. Nascido em Cáceres, não precisou sair da cidade natal para ganhar o mundo. No próximo mês de outubro, ele embarca para Paris para mais uma exposição internacional – ele já perdeu as contas de quantas foram.

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Sebastião Mendes nasceu em Cáceres (217km de Cuiabá), há 52 anos. Desde os oito já riscava com carvão as tábuas de madeira das paredes de casa, e com gravetos a terra batida do quintal. Foi um frei de origem holandesa, chamado Frei Matheus, que o incentivou a investir na arte. “O Frei Matheus sempre falava pra mim: você tem que observar a natureza, que dela você vai tirar tudo aquilo que você precisa”, lembra.

No início, o cacerense pintou paisagens, flores, pessoas. E chegou a tentar trabalhar como funcionário para empresas. “Mas percebi que não ia dar muito certo. Sempre [tinha] aquela cobrança de espírito pra que nunca parasse de pintar”. Foi com cerca de dezoito que ele decidiu que seguiria uma arte mais figurativa.

“Que vai pro lado do Portinari, da Tarsila, do Di Cavalcanti... que vem a ser conhecido porque Tarsila foi pra França, assim como Portinari foi e pintou dois anos com Picasso, e voltou influenciado. Tanto que ele tem dois lados expressionistas, um dos volumes fortes, e outros das figuras franzinas, raquíticas, que é o lado do expressionismo sulamericano, e que hoje é conhecido como o expressionismo figurativo, mas brasileiro. Só que antes eu vi muito Rembrant pra conhecer luz e sombra, e Almeida Junior, que foi um dos primeiros pintores acadêmicos brasileiros sem influência dos acadêmicos europeus”.

Autodidata, Sebastião passou horas e horas se dedicando aos estudos em seu ateliê, e foi reconhecido por críticos de arte, pela mídia e por amantes da arte de forma geral. Como consequência, fez sua primeira exposição em Cuiabá muito cedo, e, em 1995 expôs em Portugal. Desde então, sua arte já esteve na Espanha, França, Alemanha, Suíça, Austrália, Finlândia, Noruega, Bélgica, dentre muitos outros países.

Em 2007, foi indicado pelo artista plástico Pedro de Alcântara para ser um novo membro da Academia Brasileira de Belas Artes. Segundo Sebastião, depois que acontece a indicação, o nome vai a um Conselho, que decide se o artista será ou não aceito. “Vai depender muito do trabalho, da identidade que ele tem com sua própria arte. Se realmente o seu trabalho vai impor futuramente, se vai conseguir permanecer. Está certo que ninguém sabe se esse ou aquele [artista] vai permanecer, mas tem que existir um trabalho bastante consistente”, explica. “Pra mim foi muito bom, e até hoje eu sou grato, porque a Academia Brasileira de Arte, na época tinha reconhecimento muito grande, tanto no Brasil, e principalmente fora do Brasil, na França”.

Nova exposição

No próximo dia 27 de setembro, Sebastião embarca mais uma vez para Paris. Lá, no dia 2 de outubro, será aberta a exposição ’Doze Discípulos’, com doze artistas brasileiros. Ela segue até o dia 26, no Centro de Cultura Maurice Ravel.

Dentre os artistas que vão expor estão os mato-grossenses Ozires de Paula, Zé Ilton de Matos, Valques Pimenta, além de Sebastião. A mostra tem curadoria de Edna Abreu, que reside há anos na Europa.

Sebastião levará seu expressionismo figurativo, lotado de signos da cultua mato-grossense, como a viola de cocho. “Eu tenho o cotidiano do dia a dia do povo interiorano brasileiro, principalmente do povo mato-grossense. Agora, a viola de cocho é a porta bandeira da nossa cultura, então eu sempre gostei de colocá-la em lugares da minha obra. Porque a partir do momento em que se reconhece o instrumento como símbolo da nossa cultura, não tem porque não levar pras pessoas conhecerem. É uma cultura mato-grossense, por eu ser de Mato Grosso, mas como diz Oscar D’Ambrosio, que é crítico de arte de São Paulo, hoje a arte de Sebastião Mendes é universal”, explica.

Serviço

Sebastião Mendes
SITE 
Email: sebastiaomendes@yahoo.com.br
Celular: (18) 99817-1713 / (18) 98102-0317

*Sebastião Mendes ​tem apoio da Academia Brasileira de Belas Artes e do empresário José Flávio. Em São Paulo, quem cuida de sua agenda é a Desvela Empreendimentos Culturais, por meio de Igor Adversutti e Desiré.

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