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Quinta-feira, 02 de julho de 2020

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Parque Serra Azul reabre para o público após incêndio que queimou mil hectares; Saiba como visitar!

Da Redação - Isabela Mercuri

05 Out 2019 - 09:25

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Parque Serra Azul reabre para o público após incêndio que queimou mil hectares; Saiba como visitar!
O cerrado é resistência. Basta viajar pelas rodovias de Mato Grosso para entender a máxima, ao ver acácias, ipês e barus lambidos pelo fogo, com os caules negros e as folhagens verdes renascendo. Assim está o Parque Sesc Serra Azul, que teve mil hectares queimados por cerca de nove dias no último mês, e reabriu suas atrações para o público no último dia 28 de setembro, sábado.

Ainda há resquícios do fogo (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

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O parque é uma unidade do Sesc Pantanal, onde estão localizadas 13 nascentes dos rios que deságuam no Cuiabazinho, depois no Cuiabá, e vão formar a bacia pantaneira, em que acontece a cheia e a vazante. O espaço não tem hospedagem, mas oferece educação ambiental e aventura.

No total, são cerca de cinco mil hectares, e grande parte foi queimada no último mês. “O incêndio começou lá em cima, na Chapada, e foi o que a gente chama de criminoso, porque foi provocado pelo homem - como a gente sabe, boa parte dos incêndios que acontecem nesses biomas são criminosos, são pessoas que, talvez, por alguma falta de informação, usam o fogo para limpar um terreno, e acaba provocando isso, e perde o controle, porque é uma região que tem muitos ventos”, explica a superintendente do Sesc Pantanal, Cristiane Campos. “Essa fazenda perdeu o controle, o fogo queimou toda a Chapada, e desceu para a Serra”.

Cristiane Campos (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Foram queimados mil hectares dentro da área do Sesc, outros mil em uma área à margem, que pertence à União, mas que o Sesc tem o domínio. No entanto, no total o incêndio atingiu 15 mil hectares de área do cerrado, que se recupera aos poucos. “Essa regeneração ainda vai levar um bom tempo. Às vezes, visualmente, a gente quase não percebe mais, porque queima muito por baixo, mas para de fato regenerar tudo a gente vai levar muitos anos ainda”, lamenta.

Atrativos



Atualmente, o Parque Sesc Serra Azul oferece alguns atrativos como flutuação na cachoeira de mesmo nome, tirolesa, arvorismo, cicloturismo (de bicicleta) e almoço no Restaurante Buritizal.

A cachoeira Serra Azul tem 46 metros de altura, 30 metros de diâmetro e 6 metros de profundidade. Para entrar, é obrigatório o uso de colete salva vidas. A flutuação dura cerca de 50 minutos, a partir da explicação do guia. Para visitar o local, é necessário comprar o Voucher Único em uma agência de Nobres ou Rosário Oeste, e fazer a visita com um guia de turismo cadastrado.

Início do caminho para chegar à cachoeira (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Para chegar à cachoeira é necessário subir 470 degraus. Para descer, há uma tirolesa de 700 metros, e 50 metros de altura. As atividades de arvorismo e cicloturismo são feitas na parte de baixo do sítio.

Tirolesa (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O projeto de implantação total do parque ainda não está finalizado. “Ao todo serão 5 anos de trabalho para implantação. No sítio 1, na portaria, haverá uma estrutura grande com receptivo para o visitante deixar o veículo, e de lá ele segue com o veículo do Sesc”, conta Marcus Kramm, gerente do parque Sesc Serra Azul. “Haverá a visita à caverna do labirinto do Jacaré, até o final de 2020. E o ‘morro das flores’, com acessibilidade, inclusive para cadeirantes, que terá uma visão de 360 graus, e uma tirolesa de mais de mil metros e quase 80 metros de altitude”.

Também em 2020, o parque terá passeio com quadriciclo e canoagem, e o sítio onde fica o restaurante abrigará o ‘Parque da Vida Selvagem’, com borboletário, espaço com beija flor, serpentário e área para reprodução de espécies do cerrado ameaçadas de extinção – abertos ao público.

Restaurante

Vista do restaurante Buritizal (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O restaurante Buritizal foi inaugurado em abril de 2019. Ele fica localizado dentro do parque, mas em um sítio separado do da cachoeira. A intenção é trabalhar somente com produtos orgânicos, e reaproveitar todo o lixo para compostagem. O cardápio tem comidas típicas do cerrado e do Pantanal.

“A essência do nosso cardápio é a valorização do regional - tanto do nosso funcionário, que tem isso enraizado, e a gente transfere isso para o nosso prato - quanto os produtos da região, que a gente valoriza muito. Hoje, o queijo que foi feito no ravióli foi produto da região, os doces também foram de produção de agricultura familiar, então a gente valoriza muito isso mesmo”, explicou Francini Ferrari, chefe de alimentos e bebidas do Sesc Pantanal, na última quinta-feira (3),  durante o pré-lançamento do Pantanal Cozinha Brasil.

Pintado ao molho de pequi (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Uma destas fornecedoras é Vania Lucia Prado, 47, proprietária da ‘Doces Prado’, que fornece doces regionais para o Sesc há três anos. Sua produção é na Fazenda Rachão, em Nossa Senhora do Livramento. “Minha sogra fazia os doces, há mais de 40 anos, meu sogro faleceu a passou para o filho, Antonio Prado, e pra mim, e nós assumimos há mais de 20 anos”, contou.

Vania (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Na fazenda, com oito funcionários, eles produzem cerca de mil quilos de furrundu, doce de leite, de fruta, laranja, limão, caju, dentre outros, por mês. “O Sesc nos ajudou muito. A gente empregou mais gente, tem fornecedor de frutas, através do Sesc conseguimos tudo isso. E muita gente depende de nós, e a gente depende do Sesc também”, comemora.

Segundo o chef do Restaurante Buritizal, Bruno Kimura, a presença de funcionários pantaneiros também ajuda a resguardar o cardápio. “Temos uma equipe de quase 30 pessoas, e são quase todos pantaneiros. Então nosso cardápio é muito bem guardado, enraizado, porque sempre que a gente vai preparar alguma coisa, todo mundo dá uma opinião: ‘isso é comida de pantaneiro, isso não é...’. então a culinaria é muito bem guardada pelos próprios cozinheiros”, completa.

Bolinho Dito Verde - A receita será ensinada pelo chef no Pantanal Cozinha Brasil (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Preservação ambiental

Como em todas as outras unidades do Sesc, o Serra Azul tem como foco a preservação ambiental. Marcos Kramm conta que eles realizam, por exemplo, o monitoramento da fauna com 15 câmeras-armadilha, e já encontraram nove espécies de carnívoros do cerrado, como onça pintada, onça parda, jaquatirica, e mais. Além disso, por estar em uma área de transição, é possível observar tanto aves do Pantanal quanto da região Amazônica.

Henrique (esq.) e Marcos Kramm (centro); Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Há gado, mas o motivo não é a pecuária. “Ele está aí para o controle das gramíneas exóticas. Aqui era pasto, e está se transformando em floresta aos poucos. As práticas de roçado, para manter o pasto, pararam, com o tempo a regeneração natural vem voltando,  e o gado está para controlar a ‘bucha’ de capim”, explica o engenheiro florestal Henrique Sverzut. “A meta de fazer a restauração mais ativa, para ter cada vez mais vegetação nativa”, completa. Além disso, em breve, mil dos quase cinco mil hectares do parque serão transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), assim como é o Porto Cercado.

Serviço

Parque Sesc Serra Azul
Acesso a partir de Cuiabá – Rodovia Emanuel Pinheiro (BR-251); Após percorrer cerca de 16km, vire à esquerda no trevo no sentido do Lago do Manso. Percorra 116km até o trevo que dá acesso ao distrito de Bom Jardim, que dá acesso ao Parque Serra Azul. Depois disso, é só seguir a sinalização.

Preços:
Almoço – R$45 (público geral) / R$30 (cartão SESC)
Cicloturismo – R$20 (público geral) / R$10 (cartão SESC)
Arvorismo – R$50 (público geral) / R$40 (cartão SESC)
Tirolesa – R$60 (público geral) / R$50 (cartão SESC)
Cachoeira com flutuação – R$80 (público geral) / R$70 (cartão SESC)

Pacotes:
Cachoeira + Arvorismo - R$120 (público geral) / R$95 (cartão Sesc)
Cachoeira + Arvorismo + Almoço - R$165 (público geral) / R$125 (cartão Sesc)
Cachoeira + Tirolesa - R$130 (público geral) / R$105 (cartão Sesc)
Cachoeira + Tirolesa + Almoço - R$175 (público geral) / R$ 135 (cartão Sesc)
Cachoeira + Arvorismo + Tirolesa - R$170 (público geral) / R$140 (cartão Sesc)
Cachoeira + Arvorismo + Tirolesa + Almoço - R$215(público geral) / R$170 (cartão Sesc)
Cachoeira + Arvorismo + Tirolesa + Cicloturismo - R$185 (público geral) / R$145 (cartão Sesc)
​​Cachoeira + Arvorismo + Tirolesa + Cicloturismo + Almoço - R$230 (público geral) / R$175 (cartão Sesc)
​​
Funcionamento: Terça a domingo, das 9h às 17h (atrativos) / Das 11h30 às 15h (almoço)

É necessário ir com guia e comprar o voucher único nas agências de turismo de Bom Jardim ou Rosário Oeste. 

*O Olhar Conceito viajou para o Sesc Serra Azul a convite da organização do Pantanal Cozinha Brasil. Mais informações sobre este evento no SITE

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