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Segunda-feira, 27 de setembro de 2021

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Ulisses e Ernani

Filme e exposição homenageiam irmãos fundadores do Muxirum Cuiabano

Da Redação - José Lucas Salvani

06 Set 2021 - 15:30

Foto: Reprodução

Filme e exposição homenageiam irmãos fundadores do Muxirum Cuiabano
O projeto “Os Irmãos Calhao e o Muxirum Cuiabano” homenageia os fundadores do Muxirum Cuiabano, Ulisses e Ernani Calhao, em um documentário de média-metragem e uma exposição fotográfica. O projeto foi contemplado no edital Conexão Mestres da Cultura - Marília Beatriz de Figueiredo Leite, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), com recursos da Lei Aldir Blanc.

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O filme resgata e contextualiza o Muxirum Cuiabano, importante acontecimento que contribuiu para a consolidação de elementos tradicionais, populares e ribeirinhos na iconografia da cultura mato-grossense. A produção enfatiza o protagonismo de dois agentes deste movimento, os irmãos Ulisses e Ernani Calhao, herdeiros do tradicional sobrenome pertencente a uma das famílias pioneiras no ramo da comunicação em Mato Grosso.

O diretor Leonardo Sant’Ana acredita o filme “vai mexer muito com a nostalgia da cuiabania, porque mostra como o Muxurim possibilitou que elementos tradicionais dessa cultura exclusivamente cuiabana se expandissem a ponto de se tornarem elementos de uma cultura mato-grossense”. 

As gravações da produção foram encerradas na primeira semana de setembro e a exposição fotográfica ainda está em fase de catalogação. A previsão é que os dois produtos artísticos sejam lançados até o final de 2021, de forma simultânea.

Muxirum Cuiabano

Muxirum é um neologismo que significa mutirão ou trabalho comunitário. Fundado em 1989, o movimento foi encabeçado por uma série de personalidades locais. Além dos irmãos Calhao, destacam-se Josephina Paes de Barros Lima, Wanda Marchetti, Adi de Figueiredo Matos, José Marciano Cândia (Pepito Cândia), Lucia Palma, Abel dy Anjos, Aníbal Alencastro, dentre outros  artistas, pesquisadores, historiadores, políticos, agentes culturais, jornalistas, empresários, estudantes e funcionários públicos.

O Muxirum se manteve ativo por quase uma década e tinha como propósito a salvaguarda de patrimônios imateriais e materiais de Cuiabá, mediante ações de divulgação, conscientização e valorização. “Era um movimento de pessoas dispostas a repensar a história, um movimento de resistência. Resistência àquela possível perda dos nossos valores culturais”, relembra Ernani.

A revitalização das festas de São Benedito e do Senhor Divino foi um dos grandes feitos do movimento. Ambas, aliás, estiveram à beira do esquecimento naquele período. Portanto, se hoje são duas das manifestações religiosas mais tradicionais e populares do estado, este reconhecimento passa pelas mãos e ações do grupo.

O Muxirum também teve papel de destaque na preservação da memória arquitetônica da cidade, além da permanente luta pelo legítimo reconhecimento público de manifestações artísticas e culturais locais, como o siriri e o cururu, o rasqueado, a gastronomia, o “djeito” de falar, o artesanato, dentre outras formas de expressão que constituem a identidade local. 
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