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Sábado, 02 de julho de 2022

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PATRONO DA NAÇÃO

Joaquim José da Silva Xavier: saiba quem foi Tiradentes e porque dia 21 de abril é feriado nacional no Brasil

Foto: Reprodução/Ilustração

Joaquim José da Silva Xavier: saiba quem foi Tiradentes e porque dia 21 de abril é feriado nacional no Brasil
Patrono oficial na nação brasileira, da odontologia e das polícias civis e militares do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, ou Tiradentes, tem sua memória celebrada e resguardada pelo dia 21 de abril, data em que foi enforcado e esquartejado em 1792, devido a sua participação à frente do movimento republicano chamado Inconfidência Mineira. O alferes, cargo militar equivalente ao de Tenente, é o único brasileiro a ter a data de sua morte como feriado nacional, que foi estabelecido na lei nº 4.897 de 1965 assinada pelo ex-presidente do país, general Castello Branco.  

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A condecoração como patrono da nação brasileira dada à Tiradentes ocorreu por meio da lei 4.897, de 1965 assinada pelo ex-presidente, general Castello Branco. Foi definido o reconhecimento e a defesa da memória do mártir, sendo proclamada a glorificação com o mais alto título “do nosso maior compatriota de todos os tempos”, diz trecho do artigo 3º da lei.  

Segundo o Conselho Nacional de Odontologia, Joaquim prestou o primeiro serviço voltado para a saúde bucal do país. Além de militar, também exerceu as funções de mascate, minerador e dentista, que lhe valeu o apelido de “Tiradentes”. Por isso, “no dia 21 de abril, nossas homenagens para Tiradentes vão muito além do político, pois ele realizou a primeira ação voltada à saúde bucal no Brasil”, diz o conselho. 

Em abril de 1946, o decreto-lei nº 9.208 assinado por Eurico Gaspar Dutra instituiu o Dia das Polícias Civis e Militares para o dia 21 de abril, data em que o Alferes foi enforcado e esquartejado. O decreto levou em consideração a atuação de Tiradentes na história da pátria, empenhado na figura heroica do sujeito multifacetado que formou uma das bases da nossa Independência na esfera militar e civil devido a sua atuação no movimento da Inconfidência Mineira. 

“Considerando que a ação do indômito protomártir da Independência, como o soldado da Lei e da Ordem, deve constituir um paradigma para os que hoje exercem funções de defesa da segurança pública, como sejam as polícias civis e militares”, diz trecho da lei que glorificou Joaquim como patrono de ambas esferas policiais.   

Nascido em 12 de novembro de 1746, a biografia de Joaquim tem poucos detalhes. Era o quarto filho de sete irmãos que cresceram na Fazenda Pombal, entre São José e São João. Os pais de Tiradentes eram Antônia da Encarnação Xavier, brasileira, descendente de paulistas, e Domingos da Silva Santos, português. 

Segundo o doutor em história, João Pinto Furtado, “o jovem Joaquim José ficou órfão aos dez ou onze anos, sendo criado por um tio, com o qual aprendeu o ofício de dentista, que lhe rendeu o apelido “Tiradentes””. Além disso, Joaquim trabalhou como tropeiro, minerador e militar da tropa da cavalaria, quando chegou ao posto de Alferes – cargo que ocupou durante o movimento inconfidente, que o forjou como mártir da nação republicana.

A Inconfidência Mineira e o nascimento de um herói 
 
Para a Mestre em História, professora Luciana Coelho Gama, autora da obra “As várias vidas do Mártir: as representações sobre Tiradentes no discurso historiográfico e didático de monarquistas republicanos”, publicada em 2020, Joaquim José foi uma das figuras mais repercutidas, debatidas e enigmáticas da história do Brasil.  

Envolvido na tentativa insurreta e conspiratória contra a Coroa portuguesa, Tiradentes teve sua imagem forjada como mártir, segundo a historiadora, “aliada ao trágico destino do alferes e à necessidade de criação de um herói que, com o advento da República em 1889, gerasse identificação popular, fizeram com que Tiradentes fosse alçado ao posto de herói nacional”.  

A Inconfidência Mineira, movimento em que teve Joaquim como um dos protagonistas, foi uma das mais fortes revoltas organizadas contra o poderio da Coroa portuguesa sobre o Brasil, durante o período colonial (XVI e o início do XIX).  

Envolvendo parte da elite da capitania de Minas Gerais, a conjuração mineira teve caráter separatista diante da política fiscal imposta pela coroa, que acabou gerando insatisfação pelas elites da época.  

Os objetivos dos inconfidentes giravam em torno da tentativa de proclamar uma república no país aos moldes do que ocorrera nos Estados Unidos, a realização de eleições anuais, a diversificação da produção econômica e o rompimento das relações diretas sobre a produção do ouro com Portugal. 

No século 18, Portugal explorava o ouro brasileiro sem fazer o devido recolhimento de impostos dos produtores ligados ao garimpo. Ainda, havia contrabando das riquezas minerais, que começaram a ficar escassas. Diante disso, a coroa optou por aumentar os impostos e tomar medidas repressivas contra os produtores da colônia.  

No decorrer dos aumentos e na intensificação da relação problemática entre Portugal e Brasil, algumas elites do país se revoltaram e se organizaram no movimento inconfidente, que terminou com o império português condenando os inconfidentes.  

Tiradentes foi o que sofreu a pena máxima da condenação: foi enforcado, depois esquartejado e teve as partes de seu corpo expostas em praça pública. A cabeça, troféu maior, foi salgada, levada para Vila Rica e colocada em uma gaiola presa numa estaca. Era o dia 12 de maio de 1792. No centro da Praça de Santa Quitéria, hoje Praça Tiradentes 
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