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Leite Materno

Medo faz mães pararem de amamentar; entenda o que é verdade e o que é mito

Da Redação - Stéfanie Medeiros

17 Out 2013 - 08:33

Foto: Ilustração

Medo faz mães pararem de amamentar; entenda o que é verdade e o que é mito
Todos sabem que amamentar é essencial para a saúde do bebê. Além disso, estudos mostram que amamentar também ajuda a manter a mãe saudável. Mesmo assim, muitas mulheres trocam o leite materno pelo leite em pó e mamadeiras. Da mesma forma que hoje em dia as futuras mães optam por cesarianas ao invés de partos normais, seja por medo, ansiedade ou para não sentir dor, há um estigma surgindo em torno da amamentação.

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De acordo com o pediatra Moises Chencinski, estas situações muitas vezes são resultados de preconceitos devido a falta de conversa e orientação durante o pré-natal. “Apesar de ser o mais indicado, o mais adequado, há mães que durante a primeira consulta já se mostram mais resistentes à ideia de amamentar. Nesses casos, nós, profissionais da saúde, devemos ser mais acolhedores, mais esclarecedores, mais empáticos, por mais trabalhoso que isso possa parecer”, destaca o médico.

Segundo o pediatra, na prática, uma vez esclarecidas e orientadas, uma vez sentindo-se menos “acusadas e culpadas”, as mães costumam aderir ao aleitamento e, após perceberem os resultados (crescimento e desenvolvimento, vínculo) tornam-se praticantes e defensoras da “arte”.

Chencinski, para incentivar a prática, esclarece alguns medos que as mulheres geralmente têm em relação a amamentação e que podem levar à interrupção da prática.

O medo de o bebê estar passando fome

Como os seios não são transparentes, não há como a mãe saber a quantidade de leite que o bebê consome a cada amamentação. De acordo com o pediatra, conforme a criança vai crescendo, ela suga mais forte e o leite sai com mais facilidade. Com isso, a duração da mamada diminui, o que pode dar a impressão que o bebê está ingerindo menos leite.

Outro fator que pode levar à conclusão de que não há leite nos seis é quando a mulher espreme manualmente e não sai quase nada ou muito pouco liquido. Chencinski explica que nesses casos, a saída do leite está intimamente ligada à proximidade do bebê, à hora da mamada e a estímulos neuroendócrinos. “Ou seja, quando o bebê suga, sai muito mais leite do que quando ‘a bombinha suga’ ou quando a mãe tenta retirar o leite manualmente”.

Como a orientação é de aleitamento materno exclusivo, sem água, sem chá, sem mais nada, até o 6º mês e em livre-demanda, quando o bebê quiser mamar e quando a mãe quiser dar, pode ocorrer de o bebê pedir em intervalos curtos, o que pode ser sede, por exemplo. Segundo Chencinski, na visão da mãe que não está orientada, isso poderia significar que seu bebê está mamando pouco de cada vez e por isso precisa mamar mais. Estes dados só ganham objetividade com uma consulta ao pediatra, mas geralmente não significa que o bebê está passando fome.

Para explicar essas informações para as mães, o médico gosta de utilizar a imagem abaixo. “O volume e o tamanho do estômago do recém-nascido, durante o primeiro mês de vida, sofrem uma transformação intensa, partindo de 5 a 10 ml no primeiro dia a chegando até 150 ml após 30 dias de vida. Isso explica porque o bebê pode precisar mamar com mais frequência nos primeiros dias. Além de o primeiro leite ser o colostro (menos quantidade, mais rico em anticorpos), o volume do estômago do recém-nascido é pequeno”, revela Moises Chencinski.



O medo de o leite ser “fraco”

Outra crença popular que persistiu durante décadas e ainda precisa ser esclarecida para que não haja crise de consciência e preocupação das mães em relação a seus bebês é aquela história de leite forte e leite fraco. Segundo o pediatra, vale repetir, ainda mais essa vez e tantas quantas forem necessárias: “não existe leite forte e/ou leite fraco. Existe muito leite ou pouco leite. Assim, a livre-demanda estimula a produção do leite. Quanto mais o bebê mamar, mais leite materno vai ser produzido”, explica.

O leite materno é próprio da espécie, tendo em sua composição os nutrientes em quantidade e proporções adequadas a cada fase de desenvolvimento do bebê. Assim, quando dizemos que o aleitamento materno pode durar 2 anos ou mais, a principal questão que aparece – se após um ano ou até dois anos de idade o leite materno tem os nutrientes necessários – fica fácil de se responder.

Até os 6 meses, tudo o que o bebê precisa está no leite materno. Após esta idade, a alimentação “complementa” o que ele precisa e não tem no leite materno. Mas ainda assim, o leite materno é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequados a cada fase de sua vida.

Chencinski ainda alerta para o fato de que o leite muda de sabor de acordo com o começo, meio e fim da mamada e com a alimentação materna. Assim, é importante que a mãe tenha uma refeição saudável, variada e adequada, para que quando esse bebê passar a se alimentar, não encare aquele sabor da fruta ou do legume como uma novidade. Vai ser já um sabor conhecido.

Oferecer um ou os dois seios?

Um mito que se espalhou é o de que o bebê tem que mamar apenas um seio por mamada, por decreto e, no máximo, por 15 a 20 minutos. Dessa forma, o bebê esvaziaria o seio e estaria garantido o seu crescimento e sua saciedade. Mas a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que sejam oferecidos os dois seios em cada mamada (o primeiro até o final). Quem deve decidir se a mamada vai constar de um ou dos dois seios é o bebê e cada mamada não deve ter tempo estipulado.

O leite do começo é diferente do leite do final do período amamentação?


Outro mito bastante difundido é que, até pela composição do leite do início (com muita água, carboidratos e proteínas) ser diferente do leite do final (gordura), a sua aparência é diferente. Assim, quando a mãe vai tentar retirar seu leite para ver se tem bastante e se ele é “forte”, ela se assusta por notar que ele é ralinho, clarinho.
 
“Mais uma vez, uma imagem vale mais do que mil palavras. Ver a diferença entre os tipos de leite auxilia a eliminar os preconceitos a respeito do leite materno, que podem ser abordados de forma clara, simples, trazendo à consciência das mães e das famílias a importância do estímulo ao aleitamento materno, desde a primeira hora , exclusivo e em livre-demanda até o 6º mês de vida, estendido até 2 anos ou mais”, diz o médico.

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