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Família de canoeiros permenece em Passagem da Conceição e exalta calmaria do distrito

Da Redação - Isabela Mercuri

15 Mai 2018 - 09:05

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Família de canoeiros permenece em Passagem da Conceição e exalta calmaria do distrito
Em uma manhã de quinta-feira, quase se esquece que é dia útil. O silêncio ensurdecedor, a brisa leve vinda da mata e as pessoas deitadas no banco da praça também enganam, e faz o visitante jurar que não está a apenas doze quilômetros do centro de Cuiabá. Assim é a Passagem da Conceição, distrito da cidade de Várzea Grande, fundado há 205 anos e que, ainda hoje, conserva ares do passado.

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A população cresceu em volta do rio, que, em 1813, já era o local por onde se ia de Várzea Grande para Cuiabá, Livramento e Jangada. Na balsa, produtores carregavam carne seca, mandioca, banana e outros itens para vender do outro lado das águas. Quem comandou a primeira balsa foi seu Manoel da Conceição, o que deu o nome ao distrito.

“Pra vir até Passagem da Conceição não tinha como vir por Várzea Grande. Era por Cuiabá. Então começou através dessa travessia”, lembra Wirson Nunes da Cunha, 46, atual presidente de bairro, que já trabalhou como canoeiro. “Seu Manoel da Conceição que foi o primeiro canoeiro daqui da Passagem, e por causa desse nome dele, chegou a imagem da santa, Nossa Senhora da Conceição.”.

A imagem da Santa chegou em 1910 – doada por Joaquim Cursino - ano em que foi construída a Igreja que ainda está no mesmo local, mas onde a missa só acontece no último sábado do mês, quando o padre vem de Cuiabá para rezar tanto ali quanto no distrito de Fazendinha. Nesta época o distrito pertencia, ainda, a Cuiabá. Foi anexado a Várzea Grande somente em 1953, cinco anos após a emancipação da cidade.

Igreja Imaculada Conceição (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Com a travessia, muitas pessoas passavam diariamente pelo local. Aos poucos, alguns foram parando e viram a oportunidade de prosperar, vendendo comida e dando pouso aos viajantes. Foi assim que a família de Wirson decidiu ir para lá. A mãe, que era de Poconé, se casou em Passagem e de lá nunca saiu.

Ivo Nunes da Cunha, 49, irmão de Wirson, também trabalhou como canoeiro. Foi seu primeiro emprego, em 1986. Depois de oito anos fazendo a travessia, continuou como funcionário da Prefeitura. Hoje, trabalha cuidando da praça da cidade e do cemitério, que fica em Fazendinha. Aos finais de semana, também trabalha em sua lanchonete, na beira do rio.

Ivo (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

A mulher de Ivo e os filhos moram em Cuiabá, mais próximos do colégio onde as crianças estudam. Quando não vai visitá-los, Ivo ele fica na casa da mãe, que nunca saiu de Passagem. “É um lugar sossegado, muito bom pra viver”, afirma.

O irmão, Wirson, trabalha entregando cartas e limpando uma chácara, além de preencher o tempo levando o pleito dos cerca de 300 habitantes do distrito à Prefeitura. Um dos principais, segundo ele, é o horário dos ônibus, apertado para a população desde o fim da travessia pelo rio. Durante a semana, são apenas quatro horários para quem quer ir para a cidade, e aos finais de semana, apenas dois.

“Até semana passada já me pediram pra ver horário do ônibus, que já não está como era antes. Então hoje vou lá falar com o secretário pra ver se consegue fazer uma mudança de horário do jeito que o pessoal da comunidade quer. Tem pouco horário, no final de semana só tem dois, de manhã e a noite. É doído pra quem vem pra cá, e o horário da noite também está vindo um pouco mais tarde”, lamenta.

Segundo Wirson, a balsa funcionou sob o comando do governo do estado até meados dos anos 2000. Depois disso, a Prefeitura assumiu, mas o transporte passou a ser feito em canoas a remo, durante cerca de cinco anos, até que foi proibido por questão de segurança.

O transporte é prioridade, já que, atualmente, quase todos os habitantes de Passagem trabalham em Cuiabá ou em Várzea Grande. Ivo e Wirson são exceções, e aproveitam a cidade-quase-fantasma que ainda resiste ao avanço tecnológico, oferecendo a turistas, banhistas e pescadores um gostinho de calmaria.

Passagem da Conceição vista de cima (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)
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