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Após lesão e cirurgia, cuiabana de 21 anos vence competição de fisiculturismo em São Paulo

Da Redação - Isabela Mercuri e Thaís Fávaro

26 Out 2018 - 17:00

Foto: Arquivo

Após lesão e cirurgia, cuiabana de 21 anos vence competição de fisiculturismo em São Paulo
Foram dois anos de treino para que a cuiabana Giulia Fontes de Almeida, hoje com 21, se tornasse campeã de fisiculturismo amador. Ela, que já foi jogadora de handebol, teve uma série de lesões e passou até mesmo por cirurgia, decidiu se dedicar ao fisiculturismo e venceu na categoria ‘bikini fitness’ no ‘Joe Weider’s Amateur Brasil 2018’, que aconteceu em São Paulo na última semana.

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“Decidi começar a treinar há uns cinco anos, por conta de uma serie de lesões que eu vinha tendo no handebol, que joguei por muitos anos. Precisava fazer reforço muscular para melhorar. A musculação começou aí”, contou ao Olhar Conceito. “O esporte eu encontrei tem dois anos mais ou menos. Achei interessante e fui atrás, procurar saber se tinha campeonatos aqui e como funcionava”.

Desde que começou a treinar para a competição, no entanto, Giulia passou por algumas dificuldades. A maior delas era o cansaço. Como Giulia é também estudante de nutrição na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), acordava todos os dias às 4h30 para treinar, e ia dormir depois da meia noite, tentando estudar. “Quando demos inicio a preparação eu coloquei na minha cabeça que daria o melhor de mim todos os dias, sem errar, porque eu queria muito isso, queria vencer”, lembra. “Mesmo com todas as dificuldades que enfrentei, uma cirurgia recente e passar por uma recuperação, e atrás disso uma preparação em que eu precisava estar 100% condicionada, eu levantei todos os dias com a coragem e o amor para dar o meu melhor, na condição que eu pudesse. E assim fiz”.

Giulia conta que fez seis meses de preparação, sendo três meses ‘off season’, em que o atleta come mais, para poder treinar mais e fazer os ajustes e evoluções necessários no físico, e outros três de ‘pré-contest’, em que o atleta busca abaixar ao máximo o percentual de gordura sem afetar a massa magra.“Claro que houve dias que foram muito difíceis”, lamenta. “Foi difícil levantar, foi difícil pelo cansaço da rotina pesada, mas nada que me fizesse pensar em desistir, jamais! Nunca quis desistir depois que entrei de cabeça nessa preparação”.

Outras dificuldades enfrentadas foram em relação ao que ouvia dos outros. “Sofri muitas críticas de pessoas dessa área, como também de educadores físicos que me chamavam de gorda, que [falavam que] eu tinha celulite, tiravam fotos minhas pra mandar em grupos e rirem de mim, perguntavam quem eu pensava que eu era pra querer ir competir em um campeonato desse, que eu ia passar vergonha”, lembra.

Mas nada disso abalou a garota. Ela foi para o Joe Weider’s, e ganhou duas medalhas de ouro. “No campeonato o sentimento de gratidão e trabalho cumprido foi maravilhoso! Só de estar lá para mim já era o suficiente. Competir ao lado das melhores atletas, das quais eu era fã, que me inspiravam todos os dias, não tem preço. Ver minha família torcendo e vibrando por mim foi maravilhoso”. O auge da noite, para ela, foi quando ganhou as medalhas. “Sentimento indescritível. Só o que eu senti na hora e pensei foi: você venceu! Venceu a si mesma, venceu as dificuldades, venceu as palavras maldosas que ouviu, venceu aqui, venceu tudo!”, comemora.

Para alcançar seus objetivos, Giulia teve a ajuda do treinador Gorba Oliveira, que a conheceu por meio do presidente da Federação Mato-Grossense de Culturismo, Kissinger Antunes. Ele já a havia visto em um campeonato em Lucas do Rio Verde antes. "[O Kissinger] me perguntou se eu estaria disposto a desenvolver um trabalho com ela, me contou a história e eu aceitei o desafio, só pelo fato de ela ter sido autodidata, e pela história dela".

Na primeira competição que fez com Gorba, Giulia já ficou em segundo lugar no campeonato estadual, e conseguiu se classificar para o brasileiro, onde ficou em 5º lugar. "A gente estava se preparando para outra competição esse ano, mas ela lesionou o joelho. Tivemos que adiar o projeto e surgiu esse campeonato, o Olympia amador, um dos maiores campeonatos de fisiculturismo do mundo", conta o treinador. "Ela competiu com vários atletas do Brasil, entre esses atletas vários de renome e internacionais. A gente assistia vídeo dela competindo para ver as poses... E a Giulia, graças a Deus, no sábado, que foi o dia da competição dela, venceu nas duas categorias que participou junto com essas atletas".
 
Para o futuro, ela pretende se formar nutricionista, e continuar competindo. Já em 2019, vai competir na Arnold Classic South America, também na categoria ‘Bikini Fitness’. “É uma profissão pra vida, se você quiser. É um esporte que demanda tempo e paciência”, finaliza. 

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