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Estudo revela mudanças culturais causadas pelo avanço do agronegócio no ‘Cerrado do Pantanal’

Da Redação - Isabela Mercuri

03 Mai 2019 - 11:03

Foto: Divulgação

Estudo revela mudanças culturais causadas pelo avanço do agronegócio no ‘Cerrado do Pantanal’
Uma dissertação de mestrado defendida no último mês de março, no Instituto de Educação (IE) da Universidade Federal De Mato Grosso (UFMT), mostrou como o agronegócio influenciou nas mudanças culturais de seis comunidades da região autodenominada de Cerrado do Pantanal, no município de Poconé, Mato Grosso.

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A dissertação “As alterações ambientais e culturais em comunidades do Cerrado do Pantanal, Poconé, Mato Grosso” foi escrita por Rafael Martine, e orientada pela Professoa Dra. Regina Silva. Para sua realizaçaõ foram escolhidas duas comunidades quilombolas, duas tradicionais e dois assentamentos, conforme a autodenominação de seus representantes.

“Nos últimos anos, esta região de transição entre os biomas Cerrado e Pantanal vem sofrendo alterações em seu ambiente, provocadas essencialmente pelo avanço do agronegócio, o qual, consequentemente, está restringindo o território destas comunidades”, explica o resumo. “Usamos a perspectiva da educação ambiental crítica para compreender estes processos de transformação no ambiente, e, especialmente, refletir sobre as relações sociais presentes nestas mudanças, considerando os vínculos entre o ambiente (habitat), a sociedade (habitantes) e a cultura (hábitos)”.

O objetivo da pesquisa foi estudar estas transformações no ambiente, e como estas mudanças influenciaram o dinamismo da cultura nas comunidades pesquisadas. A metodologia usada foi a do ‘Mapa Social’, e, com isso, foi possível construir o estudo junto às pessoas que vivem naquele território. Foi de extrema importância a autonarrativa e a autodenominação destas pessoas.

Rafael realizou pesquisas de campo, entrevistas, seminários de mapeamento social e processo formativo. “Como possíveis resultados, registraram-se alguns impactos ambientais provocados pela ação predatória do agronegócio no Cerrado do Pantanal como desmatamento, assoreamento dos rios, queimadas, contaminação da terra, ar e água provocada pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e desaparecimento da fauna e flora nativa. Estes impactos estão influenciando e alterando a cultura destas comunidades em ritmo consideravelmente rápido, como mostrado nas narrativas de moradoras e moradores que perceberam mudanças significativas nas últimas décadas na alimentação, no uso de remédios naturais, na diminuição de festas e expressões artísticas, no cultivo e produção de alimentos, na fabricação de artesanatos e artefatos culturais, e em outras manifestações que caracterizam a cultura destas pessoas que habitam o Cerrado do Pantanal”, encerra.

É possível acessar dissertações do Instituto de Educação AQUI
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